Agência ANSA
NOVA YORK - O Programa Mundial de Alimentos (PMA) da ONU acusou hoje a Junta Militar de Mianmar (antiga Birmânia) de ter se apropriado de uma carga de ajuda humanitária para as vítimas do ciclone Nargis, e anunciou a suspensão temporária dos vôos.
O porta-voz do PMA em Bangcoc, Paul Risley, disse que as 38 toneladas, entre alimentos e equipamento, que tinham enviado a Yangun foram confiscadas.
O primeiro avião do PMA com assistência humanitária chegou ao aeroporto de Yangun nesta quinta-feira cinco dias depois de o ciclone Nargis castigar com ventos de 190 km/h o sul de Mianmar.
A denúncia da agência da ONU ocorre no mesmo dia em que a imprensa estatal birmanesa reproduziu um comunicado do Ministério de Assuntos Exteriores de Mianmar aceitando a solidariedade internacional, e considerando desnecessário o envio de pessoal especializado estrangeiro, porque os próprios birmaneses podiam se encarregar de distribuir a ajuda.
A Embaixada de Mianmar em Bangcoc não abriu hoje, devido a uma festividade, e com isso até segunda ou terça-feira da próxima semana - segundo um funcionário da delegação - não serão concedidos vistos.
O Escritório da ONU para Assuntos Humanitários disse hoje que a situação nas zonas atingidas "é extremamente grave", e que o que se conhece até agora é só "a ponta do iceberg".
A Embaixada dos Estados Unidos em Mianmar calcula que cerca de 100 mil pessoas morreram, mas a rádio, a televisão e a imprensa birmanesa confirmam 23 mil mortos e 42 mil desaparecidos.