REUTERS
SANTA CRUZ - A região mais rica da Bolívia, Santa Cruz, votou no domingo o plano para maior autonomia do governo central em um referendo considerado uma rejeição desafiadora às reformas do presidente de esquerda Evo Morales.
A votação transcorreu em grande parte com tranquilidade, mas houve conflitos em várias regiões mais pobres logo após a abertura dos locais de votação, com simpatizantes de Morales saqueando seções e queimando urnas em protesto.
- Esta é uma grande luta por liberdade. A luta por libertação nunca é fácil - disse o prefeito da principal cidade da região, Percy Fernandez.
Morales, o primeiro presidente indígena da Bolívia e um aliado do venezuelano Hugo Chávez, declarou o referendo ilegal. Seus partidários prometeram boicotar a consulta popular, o que significa que o voto 'Sim' deverá vencer.
- Nós não vamos votar neste referendo porque é ilegal - disse Jorge Flores enquanto uma pilha de urnas eram queimadas atrás dele.
- Nós somos bolivianos e não seremos gerenciados pelos ricos.
O referendo daria teoricamente aos líderes conservadores de Santa Cruz mais controle sobre os impostos, policiamento e recursos naturais, incluindo as férteis terras aráveis e cerca de 10 por cento das reservas de gás e petróleo da Bolívia.
Apesar da rejeição de Morales à votação, um grande número de votos pelo 'Sim' poderá forçá-lo a negociar com seus oponentes em Santa Cruz e outras regiões pró-autonomia na Bolívia, ou colocará os dois lados em rota de colisão.
A crescente demanda por autonomia regional expõe uma divisão entre as ricas terras bolivianas e os pobres andinos nas regiões montanhosas próximas à capital La Paz, onde milhares de plantadores de coca protestaram para mostrar o apoio a Morales no domingo.
As tensões políticas aumentaram nas últimas semanas no país mais pobre da América do Sul. As Forças Armadas bolivianas emitiram um comunicado raro, no sábado, em apoio ao presidente e que classificava o referendo uma ameaça à segurança nacional.
Morales vê o referendo como uma tentativa de desestabilizar seu governo, arquitetada por seus inimigos conservadores que se opõem aos esforços para dividir grandes latifúndios e fortalecer a maioria pobre e indígena.