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Iraque: Najaf fica sob toque de recolher após aliado de Sadr ser morto

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REUTERS

NAJAF, IRAQUE - A polícia iraquiana impôs nesta sexta-feira um toque de recolher para evitar um surto de violência na cidade ao sul de Najaf, região de importância religiosa para os xiitas.

A medida foi adotada depois de um importante assessor do clérigo xiita Moqtada al-Sadr, contrário aos Estados Unidos, ter sido morto a tiros.

A polícia instalou bloqueios de rua e fez circular alto-falantes pela cidade determinando o fechamento das lojas e que as pessoas saíssem das ruas, após o assassinato de Riyadh al-Nuri. A irmã de Nuri é casada com o irmão de Sadr.

O clérigo culpou os norte-americanos e o atual governo iraquiano, aliado dos EUA, pela morte de Nuri.

- Há aí a mão do ocupante e de seu sucessor lançando-se traiçoeira e agressivamente contra nosso valioso mártir - afirmou o clérigo em um comunicado. - Prometo que não esquecerei seu valioso sangue.

Dezenas de seguidores enfurecidos de Sadr reuniram-se no maior cemitério xiita da cidade para o enterro de Riyadh.

Em um discurso proferido para os presentes no cemitério, Abdul-Hadi al-Mohammedawi, outro assessor de Sadr, citou o clérigo para dizer que os 'seguidores dele deveriam permanecer calmos e não se deixarem arrastar pela violência.'

Uma luta pelo poder entre os xiitas no sul do Iraque passou a contar com frequentes assassinatos nos últimos anos. Mas a morte de alguém tão próximo a Sadr levanta a possibilidade de que se inflamem as tensões em um momento no qual sua milícia surge no centro de uma nova onda de violência em Bagdá e em toda a região sul do país.

Forças norte-americanas e iraquianas entram em choque com a milícia Exército Mehdi, do clérigo, desde o final de março, quando o primeiro-ministro do Iraque, Nuri al-Maliki, lançou uma operação contra esse grupo armado na cidade de Basra (sul).

Nas primeiras horas da sexta-feira, soldados iraquianos foram atacados com armas de fogo quando tentaram ingressar no bairro Hayaniya, ao sul de Basra, um reduto do Exército Mehdi, disse a polícia.

Um avião norte-americano respondeu com um ataque aéreo matando seis pessoas e ferindo uma outra, disse o major britânico Tom Holloway, porta-voz das forças norte-americanas e britânicas no sul do Iraque.

Soldados dos EUA também dispararam na noite de quinta-feira, por meio de um avião-robô que sobrevoava Sadr City, uma favela xiita de Bagdá, atingindo um grupo que carregava lançadores de granada. Seis pessoas foram mortas, afirmaram os militares norte-americanos.

Sadr City tem sido o foco de intensos combates de rua ocorridos na última semana e nos quais morreram perto de cem pessoas. Há uma proibição de que circulem veículos por esse bairro, o que gerou uma escassez de alimentos e remédios ali. A proibição está prevista para acabar no sábado.

Forças norte-americanas dizem que os militantes de Sadr City foram os responsáveis pelos ataques com foguete e morteiro realizados em toda a capital, incluindo um contra a fortemente protegida Zona Verde, onde há prédios diplomáticos e do governo.

Um míssil abriu um buraco no segundo andar do histórico Hotel Palestine, na frente da Zona Verde, do outro lado do rio Tigre, na sexta-feira, matando três civis que estavam do lado de fora do prédio, disse a polícia.

O hotel abriga alguns funcionários de meios de comunicação estrangeiros, mas encontra-se atualmente quase todo desocupado. A Associated Press, que mantém alguns funcionários no hotel, afirmou que nenhum deles ficou ferido.