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LA PAZ - Fazendeiros do rico distrito boliviano de Santa Cruz abriram nesta sexta-feira uma nova frente de oposição ao governo de Evo Morales, ao bloquear uma estrada internacional em defesa da suspensão de um processo de redistribuição de terras e libertação de indígenas.
O protesto na província de Cordillera, na região do Chaco, a 700km a sudeste de La Paz, começou uma semana depois de uma paralisação na mesma região e a menos de um mês do referendo sobre autonomia do distrito de Santa Cruz, onde fica a província.
O referendo, chamado na quinta-feira de 'ilegal' e 'racista' por um enviado das Nações Unidas, é o maior desafio da direita boliviana ao presidente Morales, que não conseguiu obter um consenso para pôr em vigor sua nova Constituição 'plurinacional', que pretende reformar o país.
De acordo com a emissora de rádio Erbol, os pecuaristas de Cordillera instalaram quatro pontos de bloqueio nas estradas da região, a fim de forçar uma pausa no 'saneamento' - nome dado ao processo de certificação de uso e propriedade de terras - até que termine o referendo do dia 4 de maio.
A rádio também destacou que os fazendeiros rejeitam qualquer possibilidade de diálogo.
Fazendeiros e prefeitos opositores da região anunciaram uma nova paralisação na quinta-feira, exigindo que o governo suspenda a certificação de terras até 4 de maio, mas isto não foi aceito pela comissão de certificação, composta por autoridades nacionais e índios guaranis.
Essa comissão permanece na capital provincial, Camiri, e busca um diálogo com os fazendeiros.
O 'saneamento' foi acelerado no último ano pelo governo de Morales, com o objetivo de doar terra aos indígenas e, no caso de Cordillera, libertar guaranis que vivem em condição de semi-escravidão.
O vice-ministro de Terras, Alejandro Almaraz, disse à Erbol que o governo continuaria a redistribuição de terras, apesar do que ele chama de 'rebelião latifundiária'.