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CRAWFORD - O presidente George W. Bush admitiu na sexta-feira que temeu em 2006 que os Estados Unidos seriam derrotados no Iraque, mas na época declarou o contrário porque achava que precisava manter o moral das tropas.
- Eu estava preocupado. Olha, fico preocupado sempre que parece que vamos fracassar no Iraque - disse Bush em entrevista à ABC News na sua fazenda em Crawford, no Texas, onde passa o fim de semana em família.
Em meados de 2006, quando a violência disparou no Iraque e a situação parecia fora de controle, Bush diz que se preocupou e começou a pedir opiniões sobre o que fazer. Acabou decidindo-se por enviar 30 mil soldados adicionais.
- Achei que estava dando errado, sim, achei - disse Bush.
Sobre o motivo de ter demonstrado otimismo naquela época, ele respondeu: 'Acho que se você analisar plenamente as minhas declarações, eu estava sempre dizendo que 'a luta é muito dura''.
Mas, pressionado a justificar as declarações otimistas da época, ele acrescentou: 'Isso é uma forma de reforçar o espírito das pessoas no campo, assim como... olha, não dá para o comandante-chefe dizer a um bando de garotos que está se sacrificando que 'não vale a pena' ou 'você está perdendo'. Quer dizer, o que isso faz para o moral?.'
- Sou o comandante-chefe dos militares, e também, obviamente, alguém que fala ao país. E se você olhar meus comentários, eles foram equilibrados. Não eram polianescos - disse Bush.
Apesar da violência crescente, Bush insistia em falar com otimismo do Iraque durante meados de 2006. Ainda em 11 de outubro ele afirmava: 'É minha responsabilidade fornecer ao povo norte-americano uma avaliação sincera do caminho para avançar. Absolutamente estamos vencendo'.
Ele começou a matizar as declarações no final daquele mês. No dia 25, afirmou: 'Não estamos vencendo, não estamos perdendo'. E em 19 de dezembro de 2006 ele declarou ao The Washington Post: 'A situação no Iraque é inaceitável para o povo norte-americano -- e é inaceitável para mim.'
Naquele período, Bush também alertava que a violência no Iraque não iria parar da noite para o dia, mas que os EUA 'manteriam o rumo' apesar das dificuldades. Falava em 'mudanças', mas em 'não abandonar a tarefa antes de concluída'.
O reforço militar ajudou a estabilizar o Iraque e reduzir o número de vítimas, o que permitiu a retirada do contingente adicional até julho próximo, quando a presença militar norte-americana voltará aos 140 mil soldados. Na quinta-feira, Bush anunciou que depois de julho haverá uma pausa na redução das tropas.
Democratas e outros críticos afirmam que o reforço não concretizou a principal meta, que era permitir a reconciliação política e a estabilização do Iraque, e que ainda não há estratégia para terminar a guerra, que já entrou no sexto ano.