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Recusa do Congresso em votar TLC envia"mensagem prejudicial, diz Bush

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Agência AFP

WASHINGTON - A recusa do Congresso dos Estados Unidos em votar o Tratado de Livre-Comércio (TLC) com a Colômbia é um ato "sem precedente e infeliz" que envia uma "mensagem prejudicial" ao mundo, afirmou hoje o presidente americano, George W. Bush.

Em comunicado distribuído pela Casa Branca, essa foi a reação de Bush em relação à votação na Câmara de Representantes que aprovou, por 224 votos a favor e 195 contra, adiar indefinidamente sua decisão sobre o TLC, que, para entrar em vigor, deve ser aprovado pelo Congresso.

A decisão da Câmara, "sem precedente e infeliz", segundo o presidente, "prejudica nossa economia, nossa segurança nacional e nossas relações com um importante aliado" e mina a confiança no Governo necessária para negociar acordos comerciais no futuro.

A iniciativa também "envia uma mensagem prejudicial ao mundo, de que não se pode contar" com as promessas do Congresso, opinou.

Bush lembrou que a Colômbia é um dos mais fortes aliados na América Latina, que melhorou a segurança em seu território e combate aos traficantes "que recebem apoio de forças anti-americanas fora da Colômbia".

"A mensagem enviada hoje pelos democratas é a de que não importa quão forte seja um aliado, lhe daremos as costas quando nos convier politicamente", destacou.

Em um sentido similar e para ressaltar o apoio da Administração ao TLC, a secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, e o secretário do Tesouro dos EUA, Henry Paulson, se pronunciaram nesses comunicados.

Rice afirmou que, "da perspectiva da política externa e dos interesses dos EUA, talvez não haja um TLC mais importante na memória recente que o da Colômbia".

Paulson indicou que "mudar as regras na metade do processo é algo fundamentalmente injusto para a Colômbia, um bom amigo dos EUA, e para todos aqueles na região que apoiaram a Colômbia em sua criação de estabilidade e oportunidades para seu povo".

Também "envia um sinal muito pouco convidativo aos mercados globais em um momento sensível na economia", acrescentou o secretário.

Bush enviou formalmente ao Congresso na terça-feira o projeto de lei que contém o TLC, e que deveria ser submetido à votação em um prazo máximo de 90 dias legislativos.

Mas hoje a votação da Câmara eliminou esse prazo máximo, o que possibilita que o projeto de lei possa permanecer indefinidamente no limbo.

A presidente da Câmara Baixa, Nancy Pelosi, e o líder da maioria democrata no Senado, Harry Reid, tinham advertido Bush de que não enviasse o projeto de lei ao Congresso sem ter garantidos os votos mínimos necessários para a ratificação do pacto.

Mas o presidente americano enviou o projeto de lei ao Congresso na terça-feira, argumentado que o Legislativo não deve dar as costas a um aliado estratégico na região e que, em vez de pôr empecilhos, deveria aprovar o TLC até o fim de ano.

Os democratas se opõem a esse TLC e por exigir mais garantias para os trabalhadores e maior proteção dos direitos humanos na Colômbia.