Pequim diz que revolta no Tibete foi uma 'lição' para a China

JB Online

PEQUIM -

O porta-voz do Ministério de Assuntos Exteriores chinês Qin Gang assegurou nesta quinta-feira (27) que a revolta no Tibete e em outras zonas de população tibetana são 'uma lição' para o país asiático, e acrescentou que 'mostraram as verdadeiras faces de alguns ocidentais'.

- Os incidentes do Tibete foram um fato triste, mas em certo sentido podem ser algo bom, já que deles podemos aprender lições', assegurou Qin, que voltou a criticar a cobertura da imprensa estrangeira sobre as revoltas.

O porta-voz também assegurou que o Tibete 'não é uma Europa medieval', aludindo à imagem que a imprensa internacional apresentou dessa região.

Qin reafirmou que o Tibete está em fase de desenvolvimento e que seus moradores, incluindo os monges, desfrutam de liberdade.

No entanto, nesta quinta-feira, monges tibetanos disseram em Lhasa a um grupo de jornalistas estrangeiros acompanhados por funcionários chineses que o Tibete 'não é livre'.

Além disso, se queixaram que as autoridades lhes impedem de sair dos mosteiros por causa dos conflitos de 14 de março.

Sobre as ameaças de líderes europeus de boicotar os Jogos Olímpicos, Qin afirmou que Pequim espera que a Europa 'não adote duplos padrões' neste assunto e 'saiba diferenciar o correto do incorreto'.

Diante das denúncias de grupos tibetanos no exílio sobre a violenta repressão dos protestos, o porta-voz assinalou que 'onde forem cometidos crimes, haverá pessoal que vele pelo cumprimento da lei'.

Após a repressão policial chinesa às manifestações de 10 de março em mosteiros de Lhasa, grupos tibetanos atacaram com pedras e incendiaram estabelecimentos da cidade em 14 de março, protagonizando um dos piores incidentes no Tibete desde 1989.

Segundo o Governo chinês, a revolta deixou 19 mortos, enquanto os tibetanos no exílio afirmam que cerca de 140 pessoas perderam a vida na repressão da Polícia chinesa.

Sobre as informações dos tibetanos no exílio, Qin assegurou que o fato de eles também informarem sobre os incidentes e saberem o local onde ocorreram são uma prova de que estão vinculados aos protestos.

Pequim acusa o Dalai Lama e seu 'entorno' de ter participado da organização dos protestos violentos, o que o líder espiritual tibetano nega.