Governo britânico confessa que seus soldados torturaram iraquianos

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LONDRES - O Ministério da Defesa da Grã-Bretanha vai admitir que seus soldados praticaram tortura e violaram os direitos humanos no caso de nove iraquianos detidos por eles no sul do Iraque em 2003, abrindo caminho assim para o eventual pagamento de indenizações.

A decisão sobre confessar os crimes surge após anos de uma batalha jurídica em que as famílias de Baha Musa, o funcionário de um hotel que apanhou e morreu em poder dos militares britânicos, e outros oito iraquianos que sobreviveram aos espancamentos buscavam justiça.

O ministério, que deve fazer a confissão diante da Suprema Corte, na sexta-feira, afirmou um dia antes que agiria assim para tentar dar andamento ao processo de indenização da família de Musa e dos outros oito iraquianos, colocando fim à longa disputa nos tribunais.

O caso oferece um dos episódios mais sombrios da ocupação britânica no Iraque. Todos os nove detentos foram submetidos a 36 horas de um violento interrogatório antes de Musa morrer com 93 ferimentos espalhados por seu corpo, entre os quais o nariz e costelas quebrados.

- Lamento profundamente essas ações praticadas por um número bastante pequeno de soldados e ofereço meu sincero pedido de desculpas e minhas condolências à família de Baha Musa e aos outros oito - disse o ministro britânico das Forças Armadas, Bob Ainsworth, em um comunicado divulgado junto com a confissão do Ministério da Defesa sobre a violação dos direitos humanos.