Agência EFE
PEQUIM - As autoridades chinesas declararam hoje que se opõe às declarações do ministro francês de Assuntos Exteriores, Bernard Kouchner, que criticou o modo como Pequim reprimiu as revoltas no Tibete, informou hoje a agência oficial chinesa 'Xinhua'. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, Qin Gang, afirmou que 'qualquer país com um objetivo e com um ponto de vista justo apoiaria as medidas adotadas pela China para manter a estabilidade social e resguardar a vida e as propriedades das pessoas'.
O ministro francês disse ontem que 'essa repressão é insuportável' e explicou que na segunda-feira conversou com o ministro das Relações Exteriores chinês, Yang Jiechi, para pedir que fosse liberada a entrada de jornalistas internacionais no Tibete. Em suas declarações, Qin voltou a acusar o Dalai Lama de estar por trás das revoltas do último dia 14, que segundo a China resultou em 19 mortos, ao contrário das autoridades tibetanas no exílio, que afirmam que o conflito deixou 140 mortos.
Neste sentido, o porta-voz chinês também criticou a secretária de Estado francesa para Direitos Humanos, Rama Yade, por mostrar sua intenção de reunir-se com o Dalai Lama em caso de visita do líder tibetano à França.
- O Governo chinês é contra a visita do Dalai Lama a qualquer país para o desenvolvimento de atividades separatistas e se opõe que qualquer nação tenha qualquer tipo de contato oficial com ele - ressaltou Qin.
De acordo com o porta-voz do Governo francês, Luc Chatel, o presidente do país, Nicolas Sarkozy, decidirá em função da 'evolução da situação' se recebe o Dalai Lama, na visita que o líder tibetano deverá fazer à França em agosto. Sarkozy afirmou ontem, sobre um eventual boicote a cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos de Pequim, 'que todas as opções estão abertas' e pediu 'responsabilidade' às autoridades chinesas sobre a questão tibetana.
Para Qin Gang 'a comunidade internacional apóia a China e não o Dalai Lama', apoio que pode ser comprovado, segundo ministro chinês, pelos mais de 100 países que expressaram sua compreensão pelo modo com que as autoridades chinesas trataram as revoltas. Entre outros países que já alertaram a China sobre a forma de lidar com o conflito, estão os EUA, que por meio de sua secretária de Estado, Condoleezza Rice, apontou o diálogo com o Dalai Lama como única forma de solução para o problema.