Bush conversa com presidente chinês sobre repressão no Tibete

Agência EFE

WASHINGTON - O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, telefonou nesta quarta-feira para o chefe de Estado chinês, Hu Jintao, para expressar sua preocupação com a repressão que está ocorrendo no Tibete, informou a Casa Branca.

Bush pediu ao governante chinês para participar em um 'diálogo significativo' com o líder espiritual tibetano, o Dalai Lama, e solicitou que se permita que diplomatas e jornalistas estrangeiros tenham acesso à região, indicou a Casa Branca.

O Governo chinês anunciou que foram 'entregues' à Polícia mais de 660 participantes das revoltas do Tibete e províncias vizinhas, que poderiam ser sentenciados a penas de dez anos de reclusão até prisão perpétua ou mesmo pena de morte, segundo contempla o código penal chinês.

Um grupo de jornalistas estrangeiros de 19 veículos de comunicação chegou hoje a Lhasa de Pequim, em uma viagem organizada pelas autoridades chinesas, confirmou o Ministério de Assuntos Exteriores da China.

É o primeiro grupo de repórteres que recebe permissão para entrar no Tibete para investigar os incidentes violentos de 14 de março em Lhasa, ainda não esclarecidos, já que a propaganda chinesa e a tibetana se contradizem na hora de descrever o ocorrido.

A China afirmou que massas violentas atacaram lojas, escolas e outros locais e mataram 18 civis e um policial, enquanto os tibetanos no exílio indicam que 140 pessoas morreram pela repressão policial de manifestações pacíficas.

Pequim acusou repetidamente o Dalai Lama de comandar os atos violentos, enquanto o líder religioso, prêmio Nobel da Paz em 1989, pediu o fim da violência por parte de todos os lados, mas também aproveitou para acusar a China de cometer um 'genocídio cultural' no Tibete.

Na 'substancial' conversa de hoje, segundo o assessor de Segurança Nacional da Casa Branca, Stephen Hadley, os dois presidentes discutiram as eleições taiuanesas, o programa nuclear norte-coreano e a situação em Mianmar.

Bush também fez alusão ao envio por descuido a Taiwan de material correspondente a um míssil balístico e afirmou ao presidente da China que se tratou de 'um erro'.

O fornecimento de material de Defesa a Taiwan é um assunto particularmente delicado para Washington, pois Pequim se opõe à ajuda militar a essa ilha, que considera parte integral de seu território.