ONU denuncia 'ofensiva deliberada' do Exército sudanês contra civis

Agência EFE

GENEBRA - Os recentes ataques do Exército sudanês contra três povos no oeste de Darfur, que causaram pelo menos 115 mortos e 30.000 deslocados, foram uma 'estratégia deliberada', na qual foram cometidas violações de mulheres, saques e destruições generalizados.

A denúncia foi feita nesta quinta-feira pelo Alto Comissariado da ONU para os Refugiados (Acnur) e a missão da ONU - União Africana para Darfur (Unamid), em um relatório que descreve os exageros cometidos.

Afirma que os povos da Sirba, Silea e Abu Suruj foram atacados, com diferença de horas, no dia 8 de fevereiro, durante uma grande ofensiva do Governo sudanês para retomar o controle do corredor norte no oeste de Darfur e expulsar o grupo insurgente Movimento de Justiça e Igualdade (MJI).

Nestes ataques, foram lançados bombardeios aéreos desde helicópteros de combate e aviação, acompanhados por uma ofensiva terrestre por parte de milicianos armados montando cavalos ou camelos, assim como das forças armadas sudanesas.

- A magnitude da destruição das propriedades civis, entre elas objetos indispensáveis para a sobrevivência, sugere que os danos foram parte integral de uma estratégia militar deliberada - observa o relatório.

Também foram descritos todo tipo de saques durante e depois dos ataques, e se constata que há 'informações consistentes e críveis de violações cometidas por homens uniformizados durante e depois do ataque à Sirba'.

Entre os 115 civis mortos havia 'idosos, incapacitados, mulheres e crianças', continuou o relatório, além disso, 30.000 pessoas tiveram que abandonar seus lares atravessando, inclusive, para o país vizinho Chade.

- Casas de civis, clínicas de ONGs, centros comunitários, infra-estruturas para água, escolas, armazéns de comida, moinhos de grão e lojas foram saqueados sistematicamente, danificados e em muitos casos incendiados, às vezes com seus ocupantes no interior'.