China faz prisões por 'crimes graves' no Tibet

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PEQUIM - As autoridades do Tibet prenderam 24 suspeitos de 'crimes graves', depois que soldados dispersaram as manifestações contra o domínio chinês na região.

O Ministério Público de Lhasa, a capital tibetana, disse que os suspeitos devem ser indiciados por 'ameaçar a segurança nacional e por agredir, quebrar, saquear, incendiar e cometer outros crimes graves', disse o jornal Tibet Daily na quinta-feira.

Foram as primeiras prisões anunciadas desde o início dos distúrbios em áreas tibetanas, mas outras ainda devem ocorrer. Alguns grupos no exterior dizem que centenas de tibetanos podem já ter sido detidos, e a agência China News Service disse que o governo regional divulgou imagens de outros procurados.

- Os fatos dos crimes são claros e as provas são sólidas, e eles devem ser severamente punidos - disse o vice-procurador Xie Yanjun.

Ele reiterou a suspeita do governo chinês de que os protestos foram articulados pelo Dalai Lama, líder espiritual tibetano no exílio. 'Essa violação da lei foi organizada, premeditada e cuidadosamente planejada pela camarilha do Dalai', afirmou.

Na Índia, onde vive exilado, o Dalai Lama negou participação nos distúrbios. Ele afirma defender uma maior autonomia para o Tibet, mas não a independência.

A repressão aos distúrbios levou grupos tibetanos e políticos estrangeiros a proporem um boicote à cerimônia de abertura da Olimpíada de Pequim, em 8 de agosto.

A passagem da tocha olímpica por 19 países começa na semana que vem e deve incluir também uma escala no Tibet. Protestos contra a China devem acompanhar essa cerimônia mundial.

O primeiro-ministro polonês, Donald Tusk, afirmou que seu governo ainda está avaliando se enviará uma delegação à cerimônia de abertura.

Nos EUA, o pré-candidato democrata à Presidência Barack Obama disse que Washington deveria se manifestar em prol dos direitos humanos no Tibet. O governo Bush e a União Européia pediram moderação à China.

Pequim iniciou uma ofensiva para tentar acalmar regiões turbulentas e insistir nas acusações ao Dalai Lama. 'O governo chinês agora está envolvido numa campanha de relações públicas para o controle de danos', disse Minxin Pei, especialista em China do Fundo Carnegie para a Paz Internacional, uma instituição de Washington.

- A última coisa que o governo chinês quer é ver alguma erupção de violência ou protestos similares mais perto da Olimpíada.