Mubarak pede aos muçulmanos que protestem contra charges de Maomé

Agência EFE

CAIRO - O presidente egípcio, Hosni Mubarak, pediu, em discurso em comemoração ao aniversário de Maomé, que os muçulmanos se unam para protestar contra a reimpressão das charges do profeta pela imprensa dinamarquesa. Mubarak afirmou que é necessário que os países muçulmanos unam suas vozes em nome de seus povos 'contra qualquer um que tente ferir o profeta e subestimar os sentimentos da nação islâmica e seus santuários sagrados'.

- Comemoramos este ano o aniversário do profeta, enquanto nossa nação islâmica enfrenta fortes ventos e vários riscos de fora - disse Mubarak, para um público de especialistas em islamismo de diferentes países.

O presidente advertiu que atos como a publicação das caricaturas empurram os muçulmanos para um caminho que poderia levar a crises que afetariam todo o mundo.

- Esta campanha contra o profeta, com a desculpa de liberdade de expressão e o diálogo entre civilizações, não vai esconder o grande prestígio de sua mensagem de paz - afirmou Mubarak.

Há um mês, a imprensa dinamarquesa voltou a publicar as polêmicas caricaturas de Maomé, cuja aparição, em 2005, gerou uma onda de protestos por todo o mundo muçulmano. Os protestos incluíram o boicote de produtos da Dinamarca e terminaram com mais de cem mortos em diferentes países. Em seu discurso, Mubarak também fez referência ao conflito palestino-israelense, e advertiu que qualquer atraso em sua resolução poderá ter repercussões negativas no Oriente Médio e em outras partes do mundo.

- Qualquer atraso para encontrar uma solução justa para este conflito alimenta o sentimento de ira dos palestinos, assim como dos árabes e dos muçulmanos e conduz a um maior extremismo, à frustração e à violência - disse o presidente.

De acordo com Mubarak, a solução para o conflito passa pelo fim da ocupação israelense e pela criação de um Estado independente com Jerusalém como capital, o que, segundo ele, acabaria com o sofrimento dos palestinos.