Agência EFE
BUDAPESTE - Os Governos de Hungria, Bulgária e Croácia anunciaram hoje que reconhecerão a independência da ex-província sérvia do Kosovo, proclamada de forma unilateral em 17 de fevereiro e negada veementemente por Belgrado. Em um documento conjunto emitido hoje nas respectivas capitais, os três países antecipam o reconhecimento do Kosovo, e asseguram que sua decisão leva em conta as conclusões emitidas a respeito da questão pela União Européia (UE) e pelo Conselho Europeu (CE).
No entanto, nenhum dos três vizinhos da Sérvia especifica uma data concreta para o reconhecimento do Kosovo. O documento destaca que a soberania kosovar foi proclamada após o fracasso das negociações entre Pristina e Belgrado, e que constitui "um caso único'. Hungria, Bulgária e Croácia consideram que a estabilidade é o mais importante na região do Sudeste da Europa, e que seus países contam com 'claras perspectivas européias'.
Os três países asseguram que colaborarão com a presença internacional no Kosovo, baseada na resolução 1244 do Conselho de Segurança da ONU de 1999. As instituições do Kosovo deverão garantir os direitos das minorias, entre elas a sérvia, criando um país multi-étnico, ressalta o documento. Além disso Hungria, Bulgária e Croácia apóiam a intensificação das relações entre Sérvia e UE, e a integração deste país ao bloco europeu.
O documento afirma que os três países contam com o desenvolvimento de relações baseadas na boa vizinhança e com o fortalecimento 'das relações com o povo sérvio'. O ministro de Exteriores da Sérvia, Vuk Jeremic, pediu hoje em Atenas à comunidade internacional que não reconheça a independência do Kosovo, 'para não prejudicar a integridade territorial e a soberania da Sérvia'. Diante do iminente reconhecimento da independência kosovar anunciado hoje por Bulgária, Hungria e Croácia, o ministro sérvio disse que constata 'com pesar que países da região reconheceram ou reconhecerão o Kosovo'.
- Peço a eles que não façam isso - disse. - Cada país que o faz viola o direito internacional, e não poderá contar com boas relações com a Sérvia.
Após uma reunião com sua homóloga grega, Dora Bakoyannis, Jeremic reafirmou que 'só existe um caminho para a Sérvia em direção à paz, à estabilidade e à integração do país à UE'. O ministro sérvio agradeceu pela postura da Grécia 'de não reconhecer o Kosovo, e fazer todos os esforços para que o direito internacional seja respeitado'.
- A Sérvia utilizará todos os meios legais, políticos e diplomáticos para que o Kosovo não seja reconhecido nos organismos internacionais - disse Jeremic.
Por sua vez, Bakoyani reiterou a vontade da UE de manter estreitas e construtivas relações com a Sérvia. Ela acrescentou que 'tanto a Grécia quanto a UE não podem conceber que haja estabilidade e desenvolvimento nos Bálcãs sem a participação da Sérvia como membro da UE'.