Bush defende conflito no Iraque e promete vitória

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WASHINGTON - O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, reconheceu hoje os altos custos econômicos e humanos da invasão e posterior ocupação do Iraque, iniciada na madrugada de 20 de março de 2003 pelo horário de Bagdá (19 de março nos EUA e no Brasil), mas disse que se tratou de uma decisão acertada.

Em discurso no Pentágono, Bush disse que é indiscutível o fato de que "esta guerra teve um alto custo, em vidas e em dinheiro".

- Mas isso (a invasão) foi necessário quando foi levado em conta o custo que a vitória dos inimigos dos EUA no Iraque teria - afirmou.

O conflito no Iraque, no qual quase quatro mil soldados americanos morreram, se transformou em uma das maiores dores de cabeça para o Governo Bush, não só pelos altos gastos - mais de US$ 400 bilhões -, mas também pela crescente rejeição da sociedade americana em relação ao envolvimento do país no conflito. Hoje, grupos de pacifistas e ativistas dos EUA convocaram manifestações nas grandes cidades para pedir o fim da ocupação do país e exigir responsabilidades.

Em Washington, 32 pessoas foram detidas quando tentavam bloquear a entrada do Departamento do Tesouro americano. Este sentimento antiguerra existente hoje em boa parte dos EUA ficou evidente na forte queda de popularidade do presidente, cujo nível de aceitação não passa de 26%, segundo dados de uma pesquisa do instituto Zogby divulgada hoje. Além disso, sete de cada dez americanos culpam o conflito pela má situação da economia americana, argumento que vem sendo amplamente utilizado pelos pré-candidatos democratas à Presidência dos EUA, Barack Obama e Hillary Clinton, para pedirem a retirada das tropas do Iraque.

Entretanto, ao comemorar hoje o quinto aniversário da invasão do Iraque, Bush voltou a afirmar que "a decisão de derrubar Saddam Hussein foi correta", e assegurou que esta é uma luta "que os EUA podem e devem ganhar". Em referência à postura dos democratas, o presidente americano deixou claro que não é possível se render perante o terror, e que, caso o Governo americano não atue, 'a violência que está consumindo o Iraque vai piorar, e pode chegar a níveis de genocídio'.

Segundo Bush, é por este motivo que o Governo dos EUA decidiu, em janeiro de 2007, aumentar fortemente a quantidade de tropas no Iraque, medida que permitiu mudar a situação no país árabe e 'abrir a porta para uma vitória estratégica na guerra contra o terror'. Agora, pouco mais de um ano depois deste crescimento do contingente militar, o presidente americano afirmou que o 'sucesso existente no Iraque é inegável, embora algumas pessoas em Washington peçam a retirada das tropas'.

Para Bush, os críticos da guerra não podem mais dizer que os EUA estão perdendo o conflito, 'e por isso argumentam que custa muito dinheiro'. Durante seu discurso, Bush voltou a insistir no ponto de que retirar as tropas do Iraque agora seria impensável, pois tal ação seria aproveitada pela Al Qaeda para ocupar este vazio, e transformar o país árabe em um santuário terrorista, 'com uma renovada determinação de dominar a região e prejudicar os EUA'.

Como alternativa, o presidente americano defendeu a estratégia atual de reduzir a violência no Iraque e ajudar 'o povo iraquiano a estabelecer sua democracia no coração do Oriente Médio'.

"Um Iraque livre permitirá lutar contra os terroristas em vez de acolhê-los', afirmou. Barack Obama e Hillary Clinton aproveitaram a comemoração do quinto aniversário do início da guerra no Iraque para criticar o candidato republicano à Presidência dos EUA, John McCain - que apóia a estratégia de Bush - e insistir que trarão as tropas americanas de volta se chegarem à Casa Branca. Obama lembrou hoje que, na última terça-feira, 'McCain confundiu sunitas e xiitas, e o Irã com a Al Qaeda'.

"Será por isso que votou a favor de invadir um país sem laços com a organização terrorista?', questionou o senador, que prometeu deixar o Iraque e recuperar as alianças internacionais perdidas se chegar à Presidência. Já Hillary preferiu dar atenção ao alto custo do conflito, um dinheiro que, segundo ela, 'teria permitido dar assistência hospitalar aos 47 milhões de americanos que não têm seguro-saúde, resolver a crise hipotecária, e dar vantagens fiscais a dezenas de milhões de famílias de classe média'.