Agência EFE
NAIRÓBI - O Parlamento do Quênia aprovou nesta terça-feira por unanimidade a reforma constitucional para formar um Governo de coalizão que permitirá colocar fim à crise política a qual o país atravessa desde as eleições gerais de dezembro.
No final da sessão, transmitida ao vivo pela televisão nacional queniana, o presidente da Câmara, Kenneth Marende, certificou a votação, que registrou 200 votos a favor e nenhum contra.
Desta maneira, os deputados aprovaram a criação de uma administração conjunta entre o governamental Partido de União Nacional (PNU) do presidente queniano, Mwai Kibaki, e o principal grupo da oposição, o Movimento Democrático Laranja (ODM), liderado por Raila Odinga.
O Governo e a oposição assinaram, em 28 de fevereiro, um pacto auspiciado pelo ex-secretário-geral da ONU Kofi Annan mediante o qual acordaram criar a coalizão e os cargos de primeiro-ministro, que estará reservado a Odinga, e dois vice-primeiro-ministros, que serão ocupados, respectivamente, por membros do PNU e do ODM.
O Parlamento também aprovou o projeto de lei relacionado com o Acordo Nacional de Reconciliação que indicará aos membros do futuro Executivo híbrido as funções de cada ministro, assim como de seus colaboradores.
- A Câmara cristalizou os desejos de muitos quenianos - indicou o vice-presidente Kalonzo Musyoka, que destacou que os deputados deram início a todos os mecanismos para tirar o país de uma crise política e tribal originada por causa das eleições gerais de 27 de dezembro.
Ainda estão pendentes os nomes dos candidatos que ocuparão as pastas designadas e os novos cargos.
Um dos líderes do ODM, Musalia Mudavadi, desponta como um dos vice-primeiro-ministros, enquanto pelo PNU a ministra da Justiça, Martha Karua, é a favorita para o cargo.
Após a aprovação parlamentar, Kibaki tem que anunciar os nomes dos ministros de seu Governo, que contará com 36 pastas divididas entre o PNU e seu principal aliado, o Movimento Democrático Laranja do Quênia (ODM-K) do vice-presidente Kalonzo e o ODM, maior partido no Parlamento.
O acordo selado entre Kibaki e Odinga prevê criar várias comissões, principalmente sobre as relações interétnicas e o local dos deslocados internos.
Kibaki, que compareceu à sessão na qualidade de deputado pelo distrito de Othaya e não como presidente do país, parabenizou seus colegas, afirmando que o 'Quênia recobrou a normalidade e, em breve, recuperará o lugar que lhe corresponde como líder do leste da África'.
A sessão foi marcada pelo bom humor e pela contínua troca de lugares entre os deputados de todas as legendas presentes, que mantiveram conversas abertas durante mais de seis horas.