Agência AFP
PARIS - A França realiza no próximo domingo o primeiro turno das eleições municipais, com o Partido Socialista lutando contra um eventual abstencionismo e as divisões internas consecutivas a seu fracasso na presidencial de 2007.
As sondagens são favoráveis à esquerda que, segundo os prognósticos do líder do PS, François Hollande, "pode conquistar 30 cidades" com mais de 20.000 habitantes durante o pleito de 9 e 16 de março. Mas, para os analistas, no entanto, o contexto desfavorável para a direita francesa não significa necessária e automaticamente um benefício eleitoral para a oposição.
Em meio à boa imagem nas administrações locais, o PS evita cantar vitória antes do tempo, apesar de se beneficiar de dois trunfos: a boa imagem do "socialismo municipal" de uma parte, e os índices atuais baixos de popularidade do presidente Nicolas Sarkozy da outra, o que poderia refletir nos candidatos do partido da maioria UMP.
- Há elementos nos programas locais dos socialistas que agradam os eleitores, principalmente a insistência em relação ao problema habitacional - estima Roland Cayrol, diretor do instituto de pesquisas CSA.
Uma sondagem no início de fevereiro mostrava que os franceses depositavam confiança na esquerda para "melhorar suas cidades", numa proporção de 31% contra 22% das intenções de voto dadas a UMP.
Uma outra vantagem para os socialistas seria o descontentamento com a direita. - Uma faixa do eleitorado é sensível à possibilidade de emitir um voto de sanção - explica o cientista político Philippe Braud.
Em 2004, o PS levou com ampla vantagem as eleições regionais, mas não pôde capitalizar o sucesso, dilacerado por rivalidades internas. E não renovaram seu programa, destaca Cayrol.
Depois da derrota de sua candidata Ségolène Royal nas presidenciais de maio de 2007, em benefício do presidente Nicolas Sarkozy, os socialistas foram afetados por um certo número de deserções para o lado do governo e por uma notável falta de liderança.
Além de contar com a reeleição do prefeito de Paris, Bertrand Delanoe, e a do de Lyon, Gerard Collomb, o Partido Socialista espera conquistar as prefeituras de Marselha, o grande porto do Mediterrâneo, e de Toulouse, a sudoeste, centro de importante atividade industrial aeronáutica.
Em Paris, Bertrand Delanoe, com um balanço favorável na prefeitura da capital francesa, parece ter garantido a reeleição ante a candidata UMP.