Agência EFE
GENEBRA - O ministro das Relações Exteriores do Irã, Manouchehr Mottaki, afirmou nesta quarta-feira que chegou o momento de as tropas estrangeiras se retirarem do Iraque.
- Achamos que começou a contagem regressiva para que as tropas estrangeiras se retirem do Iraque - disse Mottaki em entrevista coletiva em Genebra, onde esta semana participou do Conselho de Direitos Humanos e da Conferência de Desarmamento da ONU. - Chegou o momento de o legítimo Governo do Iraque assumir o controle do território.
O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, fez esta semana uma histórica visita ao Iraque, após anos de tensas relações entre ambas as nações vizinhas. Mottaki considera que o "Governo iraquiano está tomando forma", e indicou ainda que a situação no país "melhora desde o segundo semestre do ano passado".
- O Iraque é um importante país da região, e tem que ter um papel ativo na segurança - acrescentou.
Questionado sobre as relações com os Estados Unidos e a possibilidade de manter conversas estáveis com as autoridades americanas, Mottaki disse isso ocorrerá no 'momento adequado'. O chanceler iraniano voltou a censurar a terceira rodada de sanções decretadas esta semana pelo Conselho de Segurança da ONU contra seu país por sua suposta falta de colaboração na investigação sobre seu programa nuclear.
- Lamento profundamente que o Conselho de Segurança tenha adotado essa resolução - afirmou, acrescentando que essa decisão apenas tira a credibilidade do organismo. - Nossas atividades nucleares são pacíficas e temos direitos legítimos de realizá-las.
Mottaki assegurou que estas sanções 'não terão um impacto real' no país, que sofre sanções desde a década de 60. Ele indicou que as sanções não terão qualquer efeito no desenvolvimento econômico do Irã, e lembrou que este ano foram assinados contratos no montante de trilhões de dólares.
- As sanções só diminuem a dignidade do Conselho de Segurança - acrescentou.
Os Estados Unidos e a União Européia (UE) acusam o Irã de ter intenções militares em seu programa nuclear, algo que as autoridades iranianas rejeitam alegando que seus objetivos são apenas pacíficos, como a geração de energia elétrica. Com o apoio de China e Rússia, o Conselho de Segurança endureceu na segunda-feira suas sanções contra o Irã perante a persistente recusa da nação em suspender o enriquecimento de urânio como medida de criação de confiança enquanto durar a investigação internacional de seu programa nuclear.