REUTERS
CAMPINAS - Em sua primeira manifestação após a crise entre países da América do Sul, o presidente Lula afirmou nesta terça-feira que a Colômbia violou a soberania territorial do Equador e que o presidente equatoriano merece um pedido de desculpas.
- Esse é um dado concreto, admitido pelo presidente (Álvaro) Uribe - disse Lula a jornalistas durante cerimônia de inauguração de um laboratório de nanotecnologia.
- O presidente Rafael Correa (do Equador) não aceitou o pedido de desculpas feito pela Colômbia porque está cheio de explicações. Ele queria um pedido de desculpas mais direto e também o compromisso de que a Colômbia não repetirá este fato - acrescentou Lula.
O presidente quer que a Organização dos Estados Americanos (OEA) investigue o episódio no qual forças regulares colombianas entraram em território do Equador para combater integrantes das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). A posição brasileira terá o apoio do Chile na reunião desta terça-feira à tarde em Washington.
- Hoje está tendo uma reunião na OEA e nós vamos querer uma investigação para saber o que efetivamente aconteceu - disse Lula, referendando posição manifestada pelo chanceler Celso Amorim na segunda-feira.
Lula apontou uma dificuldade na solução do conflito ao afirmar que 'ninguém quer voltar atrás naquilo que fez'.
A crise diplomática entre Equador e Colômbia, à qual se somou a Venezuela, foi detonada no fim de semana depois do bombardeio da Colômbia a um acampamento da guerrilha em território equatoriano. Na operação morreu Raúl Reyes, número 2 das Farc.
Lula contou já ter conversado sobre a questão com Correa, Uribe e Cristina Kirchner, presidente da Argentina, e reafirmou que o governo brasileiro vai trabalhar com outros países para a solução da crise.
Correa iniciou nesta terça-feira uma viagem por cinco países da região, incluindo o Brasil, onde tem reunião prevista com Lula na quarta.
Quanto à proximidade que o presidente venezuelano, Hugo Chávez, teria com as Farc, Lula minimizou e falou que 'faz tempo que existe guerra de nervos entre os dois países'.