Agência AFP
JERUSALÉM - Uma incursão conduzida na noite desta terça-feira pelo exército de Israel na Faixa de Gaza abalou o apelo à retomada das negociações de paz lançado pela secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, durante uma reunião com o primeiro-ministro israelense Ehud Olmert.
Mais cedo nesta terça-feira, Rice se encontrou com o presidente palestino Mahmoud Abbas, que suspendeu domingo as negociações com o Estado hebreu para protestar contra os ataques israelenses em Gaza que deixaram mais de 120 mortos, entre os quais mulheres e crianças, em menos de uma semana.
Três ativistas palestinos foram gravemente feridos durante a noite, depois de uma incursão do exército israelense no sul da Faixa de Gaza, um território controlado pelo movimento radical islâmico Hamas, informaram fontes médicas.
Durante o tiroteio, os soldados israelenses mataram um bebê, segundo as mesmas fontes.
De acordo com testemunhas, homens armados abriram fogo com armas leves e lançaram obuses de morteiro na direção do exército israelense.
Segundo fontes de segurança palestinas, as tropas israelenses estavam sitiando a casa de um membro do movimento radical Jihad Islâmica na aldeia de Al-Karara, a algumas centenas de metros da fronteira.
Uma porta-voz israelense informou à AFP que o exército estava conduzindo "uma operação contra combatentes terroristas em Gaza".
- Insisto na necessidade de instaurar um trégua geral na Faixa de Gaza e na Cisjordânia para que possamos alcançar nosso objetivo, que é transformar o ano de 2008 no ano da paz - havia declarado mais cedo Abbas, referindo-se às metas estabelecidas durante a conferência de novembro passado em Annapolis (Estados Unidos) sobre o Oriente Médio.
Durante uma entrevista coletiva com Rice em Ramallah (Cisjordânia), Abbas também havia dito que "o Hamas tem que acabar com os disparos de foguetes e Israel deve pôr um fim a todos seus ataques a Gaza, mas também à Cisjordânia.
Rice considerou possível a conclusão de um acordo de paz em 2008, mas pediu uma retomada das negociações "o quanto antes".
Em Washington, o presidente George W. Bush se disse "otimista" sobre as chances de chegar a um acordo de paz antes do fim de 2008, e exortou palestinos e israelenses a cumprirem seus compromissos.