Agência EFE
PHNOM PENH - O ex-chefe torturador do Khmer Vermelho, Kang Kek Iew , conhecido como 'Duch', foi levado nestat erça-feira por funcionários do tribunal internacional do Camboja ao centro de interrogatórios que dirigiu há 30 anos, e pelo qual passaram ao menos 14 mil pessoas que terminaram assassinadas.
Duch, que fugiu do centro de torturas de Tuol Sleng poucas horas antes de as tropas vietnamitas tomarem Phnom Penh, em janeiro de 1975, é um dos cinco altos comandantes do Khmer Vermelho que estão detidos, e serão julgados por genocídio pelo tribunal das Nações Unidas.
Os promotores acreditam que a reconstituição das ações comandadas por Duch durante os quase três anos em que dirigiu o centro, transformado agora em um museu sobre a barbárie do Khmer Vermelho, podem lançar luz sobre as investigações do genocídio cometido no Camboja.
Duch deve ser levado novamente ao centro de torturas na próxima quarta-feira.
A maior parte das vítimas que passaram por Tuol Sleng foi executada e enterrada em valas comuns do campo de extermínio de Choeung Ek, localizado a cerca de 20 quilômetros da capital.
O tribunal internacional foi criado em 2006, e conta com a participação de juízes e promotores cambojanos e estrangeiros designados pela ONU, com a aprovação do Governo do Camboja.
O diretor do centro de Tuol Sleng foi acusado em julho de 2007 de crimes contra a humanidade. Embora nunca tenha ingressado na cúpula do Khmer Vermelho, Duch dirigiu a brigada especial encarregada dos interrogatórios, conhecida como 'Santebal'.
Entre 14 mil e 16 mil pessoas, entre elas ministros do regime, diplomatas e estrangeiros, passaram por Tuol Sleng, para depois serem torturadas e executadas no campo de extermínio de Choeung Ek.
Ao ser detido em uma aldeia do noroeste do Camboja, na qual trabalhava como voluntário de uma ONG de ajuda humanitária, Duch afirmou que tinha renunciado a seu passado, que era cristão, e que sua nova missão consistia em propagar a palavra de Deus.