Agência EFE
MOSCOU - A Rússia negou nesta sexta-feira esteja ligada às ações violentas ocorridas ontem em Belgrado contra as embaixadas dos Estados Unidos e de outros países por terem reconhecido Kosovo como um Estado independente.
- A Rússia não tem qualquer relação com as desordens na capital sérvia - assegurou Mikhail Kaminin, porta-voz do Ministério de Assuntos Exteriores russo.
A declaração vem em resposta às declarações do ex-secretário de Estado adjunto dos EUA, Richard Holbrook, que acusou Moscou de "apoiar silenciosamente" os extremistas sérvios.
- Essas afirmações estão fora de lugar. Isso é jogar a culpa nos outros por seus próprios erros. As pessoas que promoveram a proclamação da independência kosovar deviam haver previsto as conseqüências - replicou Kaminin.
O diplomata acrescentou: - Quem mais deveria saber disso é o próprio Holbrook que teve bastante participação nesses assuntos - como arquiteto dos acordos de Dayton de 1994.
Segundo a imprensa americana, Holbrook seria o novo secretário de Estado americano em caso de vitória de Hillary Clinton nas eleições presidenciais em novembro nos EUA.
Grupos de manifestantes atacaram ontem à noite em Belgrado a embaixada americana, invadindo e ateando fogo em parte do edifício.
Também foram atacadas as embaixadas da Turquia, Croácia, o Reino Unido, Bélgica, Bósnia-Herzegovina, Alemanha e Canadá, e golpeados três repórteres da imprensa estrangeira.
O próprio Kaminin assegurou hoje que a Rússia lamenta os distúrbios, que foram imediatamente condenados "nos termos mais firmes" pelo Conselho de Segurança da ONU.
Na mesma linha, o ministro de Exteriores russo, Serguei Lavrov, qualificou hoje de "inaceitáveis" os ataques, e acusou Washington de utilizar "dois pesos e duas medidas" por descrevê-los como uma "flagrante violação do direito internacional".
Já o mediador russo para o Kosovo, Aleksandr Botsan-Khartchenko, advertiu hoje do perigo da separação do Kosovo devido à oposição à independência da minoria sérvia.
O Kremlin qualificou de "ato ilegítimo" a proclamação unilateral da independência kosovar e assegura que não reconhecerá a secessão desse território sem a aprovação da Sérvia.