ASSINE
search button

Protestos contra reforma na Bolívia terminam em confronto

Compartilhar

REUTERS

SUCRE - Manifestantes contrários à reforma constitucional promovida pelo governo de Evo Morales queimaram delegacias e invadiram uma penitenciária, de onde cem presos fugiram, no domingo, enquanto nas ruas estudantes entravam em choque com a polícia. Pelo menos uma agente morreu linchado.

As manifestações em Sucre (sul) aconteceram horas depois da aprovação preliminar, na noite anterior, da nova Constituição do país, na Assembléia Constituinte que funciona na própria cidade.

Morales diz que a nova Carta dará mais poder político à maioria indígena do país. A oposição direitista boicotou a votação na Constituinte.

Nas ruas de Sucre, os manifestantes ficaram cara-a-cara com a polícia, queimando pneus sob uma chuva de gás lacrimogêneo. A imprensa local disse que eles incendiaram também o presídio de San Roque, dando início a uma rebelião que permitiu a fuga de cem presos.

A agência estatal de notícias ABI disse que a polícia recebeu ordens para desocupar as ruas de Sucre, de modo a não provocar os manifestantes. A agência disse que um agente foi linchado pela multidão e que três outros ficaram feridos.

- A Assembléia Constituinte precisa ir embora. Eles não prestam. Isso é só para La Paz, não representa a Bolívia - disse um universitário, após passar a noite enfrentando a polícia.

A oposição exige mais autonomia para as regiões que governa e também a transferência do governo de La Paz para Sucre, já que a atual sede é um reduto do presidente Evo Morales.

Sucre é oficialmente a capital da Bolívia, mas a única instituição permanente que funciona ali é o Judiciário, enquanto o Legislativo e o Executivo estão em La Paz há mais de um século.

- A Assembléia é dirigida por gente do Altiplano ñregião onde fica La Pazí, gente que não sabe medir as consequências das suas ações - disse o constituinte Mario Ona.

A nova Constituição ainda será submetida a referendo popular no começo de dezembro.