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Clinton e Obama trocam farpas em discussão sobre política externa

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Agência EFE

WASHINGTON - Hillary Clinton e Barack Obama, os líderes na corrida pela candidatura democrata à Presidência dos Estados Unidos, voltaram a se envolver em uma batalha pessoal, desta vez sobre quem é o mais capacitado para ditar os rumos da política externa do país.

Um dos dois senadores pode entrar para a história como a primeira mulher ou como o primeiro negro a ocupar o cargo de presidente dos Estados Unidos, mas a perspectiva que os une não gerou grande afinidade entre ambos.

Ambos protagonizaram os confrontos mais interessantes da campanha até o momento, tanto entre os democratas quanto entre os republicanos. A última rixa refere-se ao assunto central das eleições de 2008: a política externa.

Hillary foi quem soltou a primeira farpa:

- Com todo respeito, não acho que viver em um país estrangeiro entre os seis e dez anos de idade seja uma experiência de política externa - disse a senadora em vários comícios no estado de Iowa.

Obama morou na Indonésia quando tinha entre seis e dez anos. Sua equipe de campanha não recebeu a alfinetada sem revidar.

- (O vice-presidente) Dick Cheney e (o ex-secretário de Defesa) Donald Rumsfeld têm experiência na Casa Branca e viajaram para muitos países, mas, junto com Hillary Clinton, nos levaram ao pior desastre da política externa da nossa geração e agora dão o lucro da dúvida ao presidente George W. Bush no Irã - declarou Bill Burton, porta-voz de Obama.

Com isto, fez referência ao voto da ex-primeira-dama no Senado a favor de autorizar Bush a invadir o Iraque e a seu apoio à designação da Guarda Revolucionária do Irã como grupo terrorista.

Enquanto Obama se apresenta como uma alternativa mais pacifista, Hillary sempre que pode se aproveita da falta de experiência do político de Illinois, que entrou no Senado apenas em 2004.

No âmbito da política externa, Obama destacou que seu pai era do Quênia e que sua infância na Indonésia o mostrou 'como vive o povo em outros países'.

Hillary, por sua vez, coloca na mesa sua experiência de mais de uma década no centro da política nacional e suas freqüentes viagens ao exterior durante os oito anos em que foi primeira-dama.

Entre os democratas que se encontram em vantagem nas pesquisas, o terceiro lugar na disputa é do ex-senador John Edwards, que atacou a senadora.

- Vilipendiar: acusar, especialmente de forma injusta, com o objetivo de atingir a reputação de um oponente. Ou seja, o que Hillary faz com Obama -declarou sua campanha em comunicado por ocasião da disputa sobre política externa.

Com ironia defendeu-se do protesto de Clinton durante o último debate dos democratas, no qual disse que Obama e Edwards a tinham vilipendiado durante a campanha como se lessem o manual de ataques dos republicanos.

No debate realizado em Las Vegas, evidenciou-se que os dois pré-candidatos elevaram o tom de suas críticas a Hillary, que há pouco mais de um mês quase foi escolhida como a opção 'inevitável'

do Partido Democrata, por causa de seu vigor nas pesquisas.

No entanto, a situação está menos clara neste momento, o que talvez tenha motivado Clinton a não evitar o confronto direto.

Obama obteve vantagem em relação à senadora pela primeira vez nas pesquisas de intenção de voto do estado de Iowa, de acordo com pesquisa realizada pelo 'The Washington Post' e divulgada na última terça na rede de TV 'ABC'.

O político de Illinois conta com apoio de 30% dos eleitores democratas, contra os 26% de Hillary e 22% de Edwards, de acordo com a pesquisa.

Hillary está na frente de Obama em nível nacional, porém o pleito de Iowa é de significativa importância por este ser o estado que inaugura as eleições primárias em 3 de janeiro.

Triunfos obtidos logo no começo podem dar um impulso decisivo a um candidato que não esteja na liderança no final da campanha, como comprovou-se em eleições anteriores. É o que assusta Hillary.