Agência EFE
MONTECRISTI - Mais de 1.200 operários trabalham contra o tempo em Montecristi, no oeste do Equador, para finalizar as obras da "Cidade Alfaro", que o presidente, Rafael Correa, inaugurará hoje e que será sede da Assembléia Constituinte encarregada de redigir a 20ª Constituição do país.
Em 10 semanas, os trabalhadores finalizaram a estrutura e as instalações do moderno edifício, que acolherá o plenário e as comissões da Constituinte. Ainda prosseguem a montagem das divisões e da mobília.
A assembléia deve iniciar seus trabalhos em meados de novembro.
Sobre a esplanada, nas encostas da colina que domina Montecristi, o maior atrasado é nas obras do edifício administrativo e dos escritórios anexos à sede da Assembléia. Também avançam lentamente as do monumento, mausoléu e museu dedicado a Eloy Alfaro.
O escultor Ivo Uquillas, autor do monumento a Alfaro, espera concluir em menos de um mês a sua obra. A escultura lembra o presidente que foi artífice da "revolução liberal" equatoriana no início do século XX, natural de Montecristi.
O busto em bronze de Alfaro, com o olhar voltado para o céu, disse Uquillas à Efe, ficará numa estrutura com forma de vasilha, "para lembrar os enterros tradicionais" dos indígenas da província de Manabí.
Dizendo-se "muito cansado após 10 semanas de trabalho incessante", Uquillas explicou que no dia 15 de novembro as cinzas de Alfaro deverão chegar ao mausoléu. "Esperamos estar preparados", acrescentou.
Renato Espinel, coordenador de Cidade Alfaro, garantiu à Efe que "no dia em que os constituintes quiserem, tudo estará pronto". Ele destacou que as instalações contarão com "a melhor tecnologia" para o trabalho e as comunicações.
Ao fim dos trabalhos da Assembléia, que tem um prazo de seis meses e mais dois de possível prorrogação, o complexo será transformado num centro de convenções. O edifício principal terá instalações modulares e contará com 160 escritórios.
Emile Martin, diretor técnico da obra, disse à Efe que o edifício principal foi concebido a partir de uma estrutura metálica, situada sobre alicerces de concreto. "Isso permitiu imprimir velocidade ao trabalho e criar um edifício muito funcional", explicou.
A obra "começou do zero", repetiu Martin. Ele lembrou as dificuldades iniciais, quando os trabalhos noturnos não contavam com luz elétrica na colina, "iluminada pelos faróis dos veículos".
Agora, além de eletricidade e geradores de emergência, as instalações de comunicações dispõem de internet por banda larga.
Sob a colina, em Montecristi, uma localidade de poucos milhares de habitantes, as obras avançam apressadamente nas ruas e alguns edifícios. O povoado, que esteve abandonado durante décadas, recebeu investimentos para a melhora nos serviços de água e na ampliação da rede telefônica.
- Estão oferecendo novas linhas de telefone, ampliaram a rede de água e também os celulares funcionam melhor -, disse à Efe Matilde Mantuán, dona de uma fábrica de móveis de vime e chapéus de palha do centro de Montecristi. Ela também espera ser beneficiada pela Assembléia.
Guadalupe Chávez, que tem uma loja e oficina de artesanato na mesma rua, reconheceu à Efe que já "aumentou o movimento". Mas insistiu que "é preciso dinheiro para melhorar os negócios, e rápido", para poder aproveitar o incentivo econômico que todos os moradores esperam.
- A situação está melhorando -, avaliou Chávez, que espera a ajuda e os créditos do Ministério do Turismo para que Montecristi, após a Assembléia, possa ter uma nova vida e não retorne ao abandono que sofreu por muitos anos.