Cruzes de madeira lembram 200 imigrantes ilegais mortos nos EUA

Agência EFE

ARIZONA - Com cruzes de madeira branca, membros da Coalizão dos Direitos Humanos do Arizona (Estados Unidos) lembraram nesta segunda-feira os mais de 200 imigrantes ilegais mortos nos últimos 12 meses na fronteira com o estado de Sonora (México).

- É uma maneira de manter viva a sua lembrança. Tenho certeza de que em cada uma destas cruzes vive um pouco o espírito de cada uma destas pessoas que morreu na sua tentativa de atravessar a fronteira - disse à agência Efe Kat Rodríguez, membro da coalizão.

De acordo com estatísticas da coalizão, que luta a favor dos direitos dos imigrantes, desde 1 de outubro de 2006 até 30 de setembro de 2007 morreram 237 imigrantes ilegais na fronteira do Arizona, dos quais 40% não foram identificados. No ano anterior, houve 205 mortes durante o mesmo período.

Os dados se baseiam em informação dos escritórios do médico legista dos condados de Pima, Yuma e Cochise, na fronteira do Arizona.

- Na verdade, estou surpresa. Nunca esperei que fossem tantas pessoas, e tantas identificadas apenas 'desconhecido' ou 'desconhecida' - disse Iracela Guzmán, uma das voluntárias que este ano ajudou pela primeira vez.

Apesar de viver tão perto da fronteira e saber que freqüentemente morrem imigrantes em sua tentativa de atravessar para os EUA, ela não imaginava o número até ver tantas cruzes.

Cada cruz mede aproximadamente 40 centímetros de comprimento por 20 de largura. Elas serão utilizadas no sábado, dia 3 de novembro, durante uma peregrinação que começará no sul da cidade de Tucson.

- Não será uma passeata, nem um protesto. Somente nos reuniremos para honrar a memória e dizer uma oração pela alma de todos estes homens e mulheres que morreram na fronteira - disse Rodríguez.

A peregrinação coincide com as celebrações do Dia dos Mortos, uma tradição mexicana de origem indígena lembrando os parentes que morreram, com flores e comida.