Teerã retoma negociações em meio a polêmica sobre metas atômicas

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WASHINGTON - O Irã iniciou na segunda-feira uma crucial rodada de negociações com a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA, um órgão das Nações Unidas) para esclarecer suas atividades nucleares em meio às divergências entre o chefe da instituição e o Ocidente sobre como julgar as intenções da República Islâmica.

O diretor da AIEA, Mohamed El Baradei, disse no domingo que ainda não há evidências de que o Irã tenha usado o programa de energia nuclear civil como fachada para o desenvolvimento de armas, como França e Estados Unidos voltaram a acusar na segunda-feira.

Após anos de boicote às atividades da AIEA, o Irã prometeu em agosto à agência responder até o final de 2007 qualquer dúvida sobre aspectos outrora secretos do programa nuclear, na esperança de assim evitar uma terceira rodada de sanções da ONU.

A AIEA não comenta se o Irã está de fato respondendo gradualmente às dúvidas, o que deve ser tema de um relatório até meados de novembro. Mas agências iranianas de notícias citaram na segunda-feira uma importante fonte da AIEA segundo quem a cooperação é "boa."

Mohammad Saeedi, da Organização de Energia Atômica do Irã, manifestou esperança de que nesta sessão, que vai até quarta-feira, os negociadores possam resolver questões sobre o desenvolvimento das centrífugas usadas para enriquecer urânio, principal tema das duas últimas rodadas de reuniões.

O Irã usa um desatualizado modelo de centrífuga da década de 1970, chamado P-1, que pode quebrar se girar a altíssimas velocidades durante longos períodos. Em locais inacessíveis aos inspetores da AIEA, o país está pesquisando um modelo avançado P-2, capaz de refinar urânio mais rapidamente e com menos energia.

A AIEA diz que, se o Irã conseguir esclarecer as principais questões principalmente relativas ao processamento de urânio e desenvolvimento de ogivas para mísseis , dará um passo importante para provar o caráter pacífico das suas atividades.

Falando na segunda-feira na ONU, El Baradei disse que a decisão iraniana de conversar é "um passo importante na direção certa," mas que a cooperação plena de Teerã é essencial.

Já o embaixador dos EUA na ONU, Zalmay Khalilzad, disse não haver sinais de que o Irã vai suspender o enriquecimento de urânio. Ele acrescentou que Washington já redige uma nova proposta de resolução da ONU com mais sanções ao Irã.

EUA e França contestaram a declaração feita no domingo por El Baradei, segundo quem a AIEA não encontrou provas de que o Irã esteja desenvolvendo bombas e que estaria a vários anos de obter tal capacidade, e desafiando quem quiser a provar o contrário.

A França disse que as restrições do Irã às inspeções da AIEA não fariam sentido se a intenção fosse apenas gerar energia civil. Washington declarou que os esforços iranianos para refinar o urânio por conta própria, ao invés de importar combustível nuclear, indica que o regime islâmico realmente deseja armas nucleares.