Agência EFE
SAN LORENZO - O presidente da Bolívia, Evo Morales, se reuniu nesta segunda-feira, dia 29, com o primeiro-ministro italiano, Romano Prodi, no segundo dia de visita oficial à Itália, e também aproveitou a ocasião para receber diversas ONGs em um prédio ocupado por famílias pobres.
Respeitando "a nova diplomacia dos povos", Morales visitou hoje um edifício do bairro romano de San Lorenzo. O prédio foi ocupado há anos por movimentos e associações sociais, e hoje abriga mais de 80 famílias.
No edifício, Morales se reuniu com representantes de associações e ONGs, como a "Asud", empenhada há anos em projetos de ajuda à América Latina e a "Action", que ocupa os edifícios abandonados ou expropriados para entregá-los a famílias carentes.
O porta-voz da "Asud", Giuseppe di Marzo, chamou de "fato histórico" um presidente ter visitado um prédio ocupado por famílias carentes e ser recebido por um grupo de associações sociais.
- Nem sequer o primeiro-ministro nos recebeu, apesar dos contínuos pedidos - disse Di Marzo.
Segundo o porta-voz, Morales mostrou apoio a algumas das lutas sociais italianas, como a ajuda aos trabalhadores em condições precárias e a oposição à ampliação da base americana na cidade de Vicenza, ao norte. Evo Morales e os movimentos sociais concordaram sobre a necessidade de "abolir" o Centro Internacional para Arbitragem de Disputas sobre Investimentos (Ciadi) do Banco Mundial e a "privatização" da água.
O presidente boliviano e os movimentos sociais italianos também criticaram a ação da agência de cooperação americana (Usaid) na Bolívia e reiteraram a exigência de que os fundos de ajuda devem ser controlados pelos governos de cada país.
Morales fez também um apelo para que os países que recebem imigrantes ajam com "humanidade". Posteriormente, o presidente boliviano se dedicou à diplomacia oficial, ao se encontrar com Prodi. A reunião entre os dois foi considerada "muito cordial e amistosa" por diplomatas italianos.
Durante o encontro, ambos falaram da possibilidade de projetos de cooperação e de desenvolvimento em saúde e na construção de estradas. Outro tema tratado foi o impasse entre o governo boliviano e a companhia telefônica italiana Telecom. Sobre a situação, Prodi e Morales expressaram a intenção de "que o tema seja resolvido o mais rápido possível".
A Telecom apresentou uma queixa contra a Bolívia no Ciadi, depois que o governo boliviano decidiu nacionalizar a telefônica Entel, controlada pela companhia italiana. O presidente boliviano se reuniu também com o presidente da Câmara dos Deputados, o comunista Fausto Bertinotti, e com ele falou de cooperação, defesa dos direitos humanos, civis e dos povos indígenas e da luta contra a pobreza.
O presidente da Câmara acrescentou que Morales destacou sua defesa aos cultivos de folha de coca, "que fazem parte de uma cultura de longa tradição".
Além disso, Morales conversou com Bertinotti sobre sua campanha de defesa dos recursos naturais e acrescentou que "é escandaloso que a Bolívia continue vivendo em situação de pobreza e injustiça social", apesar das riquezas naturais.
Durante o dia, Evo Morales também visitou o centro lingüístico "Dante Alighieri" e elogiou seu empenho no ensino do idioma italiano aos imigrantes. O presidente também participou de um debate sobre o processo de transformação social na América Latina na aula inaugural da Universidade La Sapienza de Roma.
Morales terminará amanhã sua visita de três dias à Itália com uma visita ao centro esportivo do clube de futebol Roma e com uma reunião com o presidente da República Italiana, Giorgio Napolitano. Sua visita à Itália começou no domingo, quando recebeu em Rimini, no nordeste do país, a Medalha de Ouro do Presidente da República Italiana, entregue no Centro de Estudos Pio Manzù, por sua defesa da população indígena.