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BALLENA, COLÔMBIA - O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, disse nesta sexta-feira que estava próximo de garantir a reunião inicial com grupos guerrilheiros colombianos para a negociação de liberação de dezenas de reféns que eles mantêm há anos em acampamentos na selva.
Chávez assumiu o papel de mediador entre o presidente Álvaro Uribe e as Farc, mas as tentativas para a realização de negociações preliminares na Venezuela com um delegado rebelde foram frustradas por questões de segurança.
- Estamos aguardando os contatos necessários, as condições mínimas de segurança para a reunião. Tenho certeza de que ocorrerá - disse Chávez a jornalistas, pouco antes de uma reunião com Uribe na Colômbia.
- Agora, é uma questão de dias. Não fiquem surpresos quando uma noite eu anunciar que realizamos a reunião - afirmou.
O envolvimento de Chávez e do presidente francês Nicolas Sarkozy nas negociações renovaram as esperanças para os reféns, incluindo a política francesa-colombiana Ingrid Betancourt, seqüestrada em 2002 e três cidadãos dos Estados Unidos seqüestrados um ano depois.
O grupo rebelde mais antigo da América Latina, as Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) afirmaram que querem trocar rebeldes presos por cerca de 50 reféns, mas exigem que Uribe desmilitarize uma área para a realização de uma troca segura.
Popular por sua campanha - apoiada pelos EUA - de redução de violência e repressão aos rebeldes, Uribe recusa-se a retirar tropas, dizendo que permitiria que as Farc se reagrupassem em uma área rural considerada uma rota importante para o tráfico de cocaína dos guerrilheiros.
Enquanto Uribe mostrou-se um dos mais fiéis aliados de Washington, Chávez usou a riqueza em petróleo da Venezuela para promover suas idéias socialistas, contrapondo-se às políticas norte-americanas de livre mercado na região. Mas os dois líderes mantêm um relacionamento pragmático.
As famílias dos reféns esperam que as credenciais de esquerda de Chávez e seu status de prestígio na região possam persuadir a liderança das Farc a participar do diálogo para a libertação de seus parentes.
Ex-candidata à Presidência da Colômbia, Betancourt foi seqüestrada junto com sua assessora de campanha, Clara Rojas, que deu à luz em cativeiro. Não há notícias das duas desde 2003.
Washington vem pressionando pela libertação dos três profissionais autônomos que trabalhavam para o Departamento de Defesa dos EUA, Keith Stansell, Marc Gonsalves e Thomas Howes. Eles foram tomados como reféns quando seu pequeno avião caiu em uma missão de combate ao narcotráfico.