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JERUSALÉM - A facção governista palestina Fatah rejeitou na quinta-feira a possibilidade de um diálogo com o grupo islâmico Hamas, diante das ameaças israelenses de que isso seria "torpedear" um processo de paz com o Estado judeu.
Fontes palestinas disseram que membros do Hamas e da Fatah discutiram a possibilidade de uma negociação de paz, mas que os líderes da Fatah exigiram como pré-condição que o Hamas ceda o controle da Faixa de Gaza, sob seu domínio desde a breve guerra civil de junho.
- O que aconteceu em Gaza foi um golpe militar contra a legitimidade e contra a democracia - disse Abdallah Franji, membro do comitê central da Fatah, à Reuters. "Se eles recuarem, aí poderíamos conversar. Agora não podemos."
O presidente Mahmoud Abbas dissolveu em junho o gabinete de unidade nacional que havia sido formado pelas duas facções meses antes.
Isso levou EUA e Israel a atenuarem as sanções à Cisjordânia, que continua sob comando da Fatah, e incentivou Washington a convocar uma conferência de paz para novembro.
Ismail Haniyeh, que era primeiro-ministro no governo do Hamas, disse na noite de quarta-feira que seu grupo está disposto a conversar com a Fatah e sinalizou até mesmo com a devolução da Faixa de Gaza.
Israel, que tenta fortalecer Abbas e isolar o Hamas, disse que as negociações entre as facções rivais iriam "torpedear" a preparação da conferência dos EUA, que pode levar à retomada do processo de paz entre palestinos e israelenses.
- Estamos preocupados que, se vocês permitirem que esta organização extremista, que se opõe à reconciliação, volte ao palco central, vocês vão na verdade torpedear qualquer chance de avançar - disse Mark Regev, porta-voz da chancelaria.
Israel e o Ocidente pressionam o Hamas a reconhecer a existência de Israel, abdicar da violência e aceitar acordos de paz pré-existentes.
A Fatah se recusa a conversar até que o Hamas abandone os quartéis que ocupa em Gaza. O Hamas diz que isso deve ser parte de um acordo, e não uma pré-condição.
Uma fonte palestina disse que o diálogo Hamas-Fatah englobaria também um cessar-fogo do Hamas contra Israel e possivelmente uma troca de prisioneiros.
Uma fonte oficial palestina disse em setembro que o Hamas tentou estabelecer discussões com Israel, mas que a iniciativa foi rejeitada.