REUTERS
WASHINGTON - A empresa de segurança norte-americana Blackwater negou neste sábado, dia 22, estar envolvida no embarque ilegal de armas automáticas e bens militares para o Iraque.
O comunicado da companhia, cujos funcionários foram acusados pelo governo do Iraque de matar 11 pessoas em Bagdá nesta semana, foi divulgado após um jornal afirmar que promotores federais estão investigando se a Blackwater exportou sem licença equipamento militar para o Iraque.
- As alegações de que a Blackwater está de alguma forma associada ou é cúmplice de atividades ilegais relacionadas a armamentos não têm fundamento. A companhia não tem conhecimento de que qualquer empregado tenha exportado armas irregularmente - disse a companhia em comunicado.
- A questão é completamente sem relação - com os programas do governo dos EUA com a Blackwater no Iraque, disse a companhia, sediada na Carolina do Norte. A Blackwater emprega cerca de mil funcionários para proteger missões dos EUA no Iraque e seus diplomatas de ataques. O jornal The News & Observer, da Carolina do Norte, afirmou em reportagem que dois ex-empregados da Blackwater se declararam culpados de portar armas ilegais num tribunal em Greenville e que eles estão cooperando com a investigação federal.
O jornal citou duas fontes anônimas que afirmaram que os promotores federais estão investigando se a Blackwater embarcou armas e equipamentos militares para o Iraque sem as licenças necessárias.
Um porta-voz do Departamento de Justiça não comentou a investigação.
O primeiro-ministro iraquiano, Nuri al-Maliki, tem sugerido que a embaixada dos Estados Unidos deixe de usar a Blackwater, desde domingo, quando uma ação de agentes da empresa resultou em 11 mortos. Na ocasião, a companhia protegia um comboio diplomático em Bagdá. A investigação dos promotores nos Estados Unidos, contudo, teria começado bem antes desse incidente.
O jornal The Washington Post relatou também neste sábado que a investigação do governo iraquiano sobre os acontecimentos do último domingo se ampliou e agora inclui alegações sobre o envolvimento da Blackwater em seis outros incidentes violentos neste ano, que deixaram pelos menos dez iraquianos mortos, entre eles um jornalista.
O jornal da capital norte-americana citou como fonte da sua matéria um porta-voz do Ministério do Interior do Iraque.
Na sexta-feira, o Departamento de Estado declarou que avaliaria o uso de empresas privadas de segurança para proteger os seus diplomatas no Iraque.
O tema do suposto contrabando de armas por uma empresa de segurança havia aparecido durante a semana, numa carta de um parlamentar norte-americano influente, o democrata Henry Waxman, para Howard Krongard, inspetor-geral do Departamento de Estado.
Waxman acusou Krongard de interferir nas investigações sobre fraudes e abusos no Iraque e no Afeganistão.
- Você impediu os esforços de investigação sobre as alegações de que uma grande empresa de segurança estaria contrabandeando armas para o Iraque - dizia a carta de Waxman para Krongard, datada de 18 de setembro. A carta não dava nomes à empresa.
Em seu comunicado, a Blackwater deu sua versão sobre como a investigação federal começou.
A empresa afirmou que quando foi descoberto internamente que dois funcionários estavam roubando a companhia, a Blackwater imediatamente os demitiu e convidou o Birô de Álcool, Tabaco, Armas de Fogo e Explosivos para conduzir uma investigação completa.
- Os empregados, que são ex-fuzileiros navais, foram condenados e estão agora negociando a sentença em Raleigh com os promotores federais - disse a companhia.
Os dois ex-empregados da Blackwater que se declararam culpados num tribunal, segundo o jornal News & Observer, são Kenneth Wayne Cashwell e William Ellsworth "Max" Grumiaux.