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BEIRUTE - Milhares de libaneses compareceram nesta sexta-feira às cerimônias fúnebres para um legislador anti-Síria, cujo assassinato esta semana aumentou as tensões no país antes da disputada eleição presidencial.
Antoine Ghanem, 64, foi alvo de um ataque com um carro-bomba no leste de Beirute na quarta-feira. Outras quatro pessoas foram mortas.
Ele foi a sétima personalidade anti-Síria a ser morta desde o assassinato, em 2005, do ex-primeiro-ministro Rafik al-Hariri.
Os aliados de Ghanem na coalizão governista anti-Síria culparam Damasco pela morte. A Síria, no entanto, condenou o ataque.
Libaneses enlutados lotaram as ruas do leste da capital, acenando a bandeira branca e verde do Partido Falange, ao qual Ghanem pertencia.
Alguns presentes culparam a Síria por provocar instabilidade no Líbano com o mais recente incidente.
- Isso é um crime. Queremos que o Líbano esteja livre de forças estrangeiras e que seja independente. Queremos os libaneses vivendo juntos como irmãos - disse Ghaleb Shayya. A morte de Ghanem significa que a aliança governista de sunitas, cristãos e duros tem agora apenas uma pequena maioria de 68 membros no Parlamento de 128 cadeiras. O bloco de oposição xiita-cristão, que inclui o grupo Hezbollah, é apoiado pela Síria e pelo Irã.
O Parlamento deve se reunir na terça-feira para eleger um sucessor ao presidente pró-Síria Émile Lahoud, mas a votação pode não ocorrer por falta de quórum de dois terços.
A escolha de um novo presidente nos dois meses antes do final do mandato de Lahoud é vista como algo vital rumo ao encerramento da pior crise política do Líbano desde a guerra civil de 1975-1990.