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Fidel morreu? Militares de Guantánamo não têm certeza

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REUTERS

GUANTÁNAMO, CUBA - Numa cerca misturada com cactos, militares cubanos e norte-americanos se encontram cara-a-cara, no limite da base naval norte-americana de Guantánamo, mas o nome de Fidel Castro não aparece nessas conversas.

O comandante da base, capitão Mark Leary, diz discutir assuntos mundanos, como incêndios florestais e obras, em suas reuniões mensais com os colegas cubanos.

- Não fizemos nada realmente diferente desde a doença (de Fidel) - disse Leary, no único encrave dos EUA em território comunista. - Nada mudou na cerca desde então, e, para falar a verdade, eu não esperava que mudasse. Realmente é um tipo de relação de militar para militar, e realmente uma coisa local.

O estado de saúde de Fidel é tratado como segredo de Estado. Rumores sobre sua morte circulam regularmente entre os exilados cubanos de Miami desde que ele transferiu o poder a seu irmão Raúl para se submeter a uma cirurgia contra uma hemorragia intestinal, há um ano.

E, embora estejam em território cubano, os militares que servem em Guantánamo não têm informações privilegiadas nem um interesse especial a respeito de Fidel.

Por isso, os jornalistas que visitaram a base nesta semana ficaram chocados ao ouvir a jovem marine que os acompanhava mencionar casualmente que Fidel havia morrido na segunda-feira anterior, 27 de agosto.

Ela se referia à ausência no trabalho de três idosos cubanos que trabalham na base desde antes da revolução de 1959.

- Quando Castro foi declarado morto, na segunda-feira, eles não vieram trabalhar a semana inteira - afirmou a cabo Veronica Gonçalves. Diante do espanto dos jornalistas, ela explicou:

- Fidel Castro morreu na semana passada.

Gonçalvez disse ter lido a notícia da morte na Internet, mas que não houve anúncio oficial nem qualquer status de alerta na base.

Um encarregado de relações públicas, também surpreso, telefonou para seu supervisor e relatou que a saúde de Fidel havia sido citada numa reunião e que 'não há razão para indicar que ele esteja morto.' Leary também disse desconhecer a notícia.

- É novidade para mim - declarou.

Funcionários cubanos desmentem os rumores da morte de Fidel na Internet. Mas, para todos os efeitos, nada na base mudaria imediatamente se isso fosse verdade. A Marinha dos EUA aluga a base de Guantánamo, no sudeste da ilha, desde 1903, por um acordo que só poderia ser revogado por entendimento mútuo.

Cuba gostaria de despejar o inquilino-inimigo, mas os EUA consideram que a base é ideal para o combate ao tráfico de drogas e imigrantes clandestinos e para manter presos suspeitos de ligação com a Al Qaeda.

Cuba e EUA romperam relações desde logo depois da revolução de 1959, e a retórica entre ambos os lados é sempre acalorada. Apesar disso, os trâmites na cerca entre a base e o resto de Cuba são tranqüilos e pragmáticos.