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Realeza tem "água gelada nas veias", diz Al Fayed

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REUTERS

LONDRES - A família real britânica deve ter "água gelada em suas veias", disse o pai do namorado da princesa Diana, convencido de que a morte deles em Paris, há 10 anos, não foi um mero acidente.

- Pegaram uma menina que tinha apenas 19 anos e fizeram da vida dela um inferno - disse Mohamed Al Fayed, inimigo implacável da Casa de Windsor, referindo-se ao casamento de Diana com o príncipe Charles, que terminou em divórcio.

O milionário de origem egípcia, dono da sofisticada loja londrina Harrods, fez a nova declaração contra a realeza em entrevista por ocasião dos dez anos da morte de Diana e de seu filho mais velho, Dodi.

Há anos, Al Fayed afirma que o casal foi vítima de um complô do "establishment" para que não se casassem.

"Agentes do MI6 (serviço britânico de inteligência) ou pessoas trabalhando para o MI6, ou ambos, se combinaram para garantir que Dodi e Diana nunca voltassem a Londres."

"Jamais descansarei até que eu tenha exposto toda essa conspiração homicida. Meu filho e Diana foram assassinados. Não vou deixar que eles fujam com isso."

A monarquia não costuma comentar as declarações de Al Fayed. Duas investigações - na Grã-Bretanha e na França - concluíram que se tratou realmente de um acidente, já que o motorista Henri Paul, que também morreu, havia bebido e fugia de fotógrafos em alta velocidade ao bater na entrada de um túnel.

Apesar de ter sua vida afetiva cercada por boatos, Diana era discreta quanto aos namorados na fase pós-divórcio, e só semanas antes de morrer assumiu o relacionamento com o milionário Dodi.

O pai dele contratou uma junta de advogados para representá-lo em uma espécie de investigação, já bastante atrasada, em que um júri dará um veredicto sobre como o casal morreu.

Mas Al Fayed admite que é difícil provar suas acusações. "Mas acredito em Deus. Com a ajuda de Deus, darei justiça a meu filho e à princesa Diana."

Sobre sua própria culpa na morte do casal - já que fora o magnata que contratou o motorista que ficaria bêbado -, Al Fayed é categórico: "Não há razão para que eu me sinta responsável".

Al Fayed, 74 anos, enfrentou preconceitos e dificuldades para adquirir "A Melhor Loja do Povo" na década de 1980, e nunca fugiu de polêmicas.

Certa vez, revelou que havia pagado parlamentares para que fizessem perguntas favoráveis a ele e defendessem seus interesses. O caso acabou contribuindo para a queda do governo conservador em 1997.

Frustrado em seu pedido de cidadania britânica, Al Fayed argumenta que emprega milhares de pessoas, paga milhões de libras em impostos e sempre defendeu boas causas.

Hoje em dia, sua amargura e seu ódio são palpáveis a amigos e inimigos.

"O 'establishment' fez a única coisa que poderia me machucar: matou meu filho. Isso eu não posso perdoar."