Agência AFP
LA PAZ - A cidade boliviana de Sucre (Sudeste) entrou em greve civil nesta quinta-feira, para exigir que a Assembléia Constituinte aprove um artigo para transferir as sedes dos poderes Executivo e Legislativo que ficam em La Paz.
Segundo a imprensa local, o comércio, os bancos e os armazéns fecharam suas portas e o transporte público usou veículos para bloquear o trânsito nas avenidas principais. A polícia não se manifestou e não entrou em conflito com os grevistas.
Grupos de universitários e cidadãos fizeram marchas pelas ruas de Sucre, com bandeiras brancas com cruzes vermelhas, o símbolo da capital, enquanto que cerca de 200 pessoas fazem greve de fome em vários pontos da cidade.
A Assembléia Constituinte, instância que deve aprovar uma nova Carta Magna, determinou a suspensão por tempo indefinido dos trabalhos, diante do risco de que os constituintes sofram agressões físicas.
O foro decidiu eliminar de sua agenda de deliberações o pedido de Sucre de recuperar a sede do governo, que La Paz ostenta após ganhar uma guerra civil no século XIX, decisão que diminui o poder dos líderes de Sucre.
O porta-voz governamental, Alex Contreras, afirmou que "existem setores ligados a partidos políticos tradicionais que não querem a unidade, que querem a desintegração, o fracasso da Assembléia Constituinte".
A polícia, que havia redobrado sua presença nos últimos dias, decidiu nesta quinta-feira retirar-se para os quartéis, para evitar confrontos com os civis.
Na quarta-feira, foram registrados conflitos, que deixaram cerca de 10 pessoas levemente feridas, oito delas por balas, segundo versão da imprensa local.