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LIMA - Equipes de resgate retiraram nesta quinta-feira centenas de mortos e feridos dos escombros de casas e igrejas destruídas pelo violento terremoto que atingiu o Peru e deixou pelo menos 437 mortos, segundo a Defesa Civil. O terremoto registrado na noite de quarta-feira, que chegou a ser sentido em Manaus, provocou a interrupção de estradas e o corte no fornecimento de energia para milhares de pessoas no Peru.
Segundo o Serviço Geológico dos EUA, o tremor aconteceu a cerca de 145 quilômetros a Sudeste de Lima, com foco a cerca de 40 quilômetros de profundidade. Inicialmente, o centro havia indicado uma magnitude de 7,9, mas depois elevou para 8.
Muita gente teve de dormir fora de casa na região litorânea de Ica, ao Sul de Lima, a parte mais afetada, onde houve vários tremores secundários. O país ainda sentiu nesta quinta-feira fortes réplicas do terremoto.
As equipes de resgate tiveram dificuldades para chegar a Ica devido ao surgimento de rachaduras na pista da rodovia Pan-Americana, que acompanha o litoral peruano. Nesta quinta-feira, rádios disseram que o tráfego estava sendo restabelecido. Algumas estradas foram interrompidas também por deslizamentos de rochas.
Em Imperial, um bairro pobre de Cañete, as pessoas acenderam fogueiras dentro das ruínas das suas casas para se aquecer durante a noite.
Em Lima, funcionários engravatados corriam pelas ruas temendo o desabamento de arranha-céus. A capital ficou às escuras, vitrines foram estilhaçadas e os celulares saíram do ar. Era possível ouvir muitas ambulâncias pelas ruas. O acesso ao aeroporto internacional ficou congestionado.
No Brasil, um pequeno tremor foi sentido no bairro mais alto da cidade de Manaus, chamado Aleixo. A Defesa Civil local informou que recebeu duas ligações de moradores de dois prédios, após sentirem um tremor de 20 segundos por volta das 20h (horário local). Os prédios foram esvaziados, e uma checagem realizada não constatou nada de anormal.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva ofereceu assistência humanitária ao Peru e manifestou solidariedade, segundo nota do Itamaraty. O presidente peruano, Alan García, enviou pêsames a parentes das vítimas e disse que o país escapou de 'uma catástrofe com um imenso número de vítimas'. Em 1970, cerca de 50 mil peruanos morreram soterrados por gelo e lama na localidade de Yungay, como resultado de um dos terremotos mais fatais da história.
O papa Bento 16 rezou pelas vítimas da tragédia e fez um apelo por ajuda imediata aos feridos e desabrigados.