Agência JB
BAGDÁ - Os militares dos Estados Unidos disseram na quarta-feira que a Al Qaeda é a principal suspeita pelos atentados suicidas que mataram cerca de 200 pessoas na véspera, principalmente membros de um antigo grupo religioso, no noroeste do Iraque.
Equipes de resgate continuam vasculhando os escombros de dezenas de edifícios em busca de corpos de vítimas dos até cinco carros-bombas que explodiram simultaneamente.
Dirigindo caminhões-tanque, os militantes atacaram áreas residenciais muito populosas a oeste de Mosul, onde vivem membros da religião yazidi, considerados infiéis por grupos muçulmanos sunitas.
Os militares dos EUA dizem ser prematuro apontar culpados, mas afirmam que a escala e a natureza aparentemente coordenada dos ataques carregam as impressões digitais da Al Qaeda iraquiana, que é um grupo sunita.
- Vemos a Al Qaeda como principal suspeita - disse o tenente-coronel Christopher Garver, porta-voz militar dos EUA.
O prefeito da localidade de Sinjar, Dakheel Qassim Hasoun, disse que 200 pessoas morreram nas explosões. Por se tratar de uma área remota, é difícil obter detalhes ou cifras precisas de vítimas.
Se confirmado, o número de mortos será o maior desde novembro, quando seis carros-bomba em diferentes partes da favela xiita de Sadr City (Bagdá) mataram 200 pessoas e feriram 250. Em abril, uma série de carros-bomba ao redor de Bagdá fez 191 mortos.
- A violência indiscriminada e sem coração só fortalece nossa resolução em continuar nossa missão contra os terroristas que assolam o povo do Iraque - disse uma nota assinada pelo embaixador dos EUA em Bagdá, Ryand Crocker, e pelo comandante norte-americano no país, general David Petraeus.
Os dois vão entregar em setembro ao governo dos EUA um relatório que será decisivo para a permanência ou retirada das forças norte-americanas.
Depois do ataque, as autoridades impuseram um toque de recolher total na região de Sinjar, que fica perto da fronteira com a Síria. O prefeito Hasoun disse que apenas pessoas e veículos envolvidos nas operações de busca poderiam transitar.
De acordo com ele, será difícil precisar o número de vitimas, já que há muitos corpos nos destroços de até 30 casas destruídas nas explosões.
Os militares dos EUA disseram estar colaborando nos trabalhos de emergência.
Segundo as autoridades, o número de mortos é muito elevado porque a maioria das casas destruídas -- uma colada à outra, em três condomínios ocupados por yazidis -- era feita apenas de barro. Os condomínios ficavam nos bairros de Kahtaniya, Al Jazeera e Tal Uzair.
Os yazidis são membros de um grupo religioso curdo de origens pré-islâmicas, que vivem no norte do Iraque e na Síria. Nos últimos meses, eles foram vítimas de vários sequestros e assassinatos cometidos por árabes sunitas.
Em abril, 23 operários yazidis de uma fábrica de Mosul foram mortos numa aparente retaliação pelo apedrejamento, ocorrido semanas antes, de uma adolescente yazidi que teria se apaixonado por um sunita e se convertido ao Islã.
Os yazidis do Iraque dizem que costumam ser perseguidos porque o anjo mais venerado por eles, como uma manifestação de Deus, é frequentemente identificado na terminologia bíblica como Satã, o anjo caído.