REUTERS
LIMA - O protagonista do maior escândalo de corrupção do Peru, o ex-chefe da espionagem Vladimiro Montesinos, foi afastado de um processo judicial de que é réu até que se recupere de um quadro grave de depressão, informou a Corte Superior de Justiça de Lima.
Montesinos está numa prisão de segurança máxima por vários delitos, entre eles o tráfico de armas para as Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), crime pelo qual foi condenado a 20 anos de prisão, mas ainda enfrenta vários outros processos.
A corte informou na noite de segunda-feira que a Terceira Sala Penal Especial determinou a paralisação do processo em que Montesinos é acusado, junto com Oscar López, de utilizar recursos públicos para comprar propriedades e veículos em benefício próprio.
- A reserva do processo foi adotada assim que a Terceira Sala Anticorrupção recebeu um documento em que se pede descanso médico para Montesinos de 10 a 24 de agosto, depois de ter sido submetido a uma avaliação psiquiátrica - informou a Corte Superior de Justiça de Lima numa nota.
- Segundo o relatório assinado pelo psiquiatra Santiago Stucchi Portocarrero, o ex-assessor presidencial apresenta um 'episódio depressivo severo', e se recomenda, além do descanso mencionado, cumprir as recomendações da Junta Médica sobre não sobrecarregar judicialmente o paciente por mais de oito horas - acrescentou.
Montesinos foi o pivô do maior escândalo de corrupção da história do Peru, que culminou com a queda do governo do presidente Alberto Fujimori (1990-2000), que está no Chile à espera de uma decisão do país sobre o pedido de extradição do Peru.
De acordo com as investigações judiciais, Montesinos, que era considerado o braço direito de Fujimori, armou uma rede de corrupção que envolveu militares, políticos, juízes, empresários, artistas e esportistas.