Agência EFE
SOMÁLIA - Desconhecidos assassinaram neste sábado em Mogadíscio o jornalista Mahad Ahmed Elmi quando ele chegava a seu local de trabalho, a emissora independente "Radio Horn Afrik", informaram à Efe fontes da rádio.
Elmi era editor da emissora de FM "Capital Voice", ligada à "Horn Afrik", uma das redes mais importantes da Somália.
O jornalista morreu com três tiros na cabeça, segundo uma testemunha, Omar Hussein.
"Elmi já estava perto da emissora quando dois homens armados se levantaram rapidamente do lugar onde estavam sentados e atiraram, e depois fugiram", disse Hussein à agência Efe.
O editor da "Radio Horn Afrik", Said Thalil Ahmed, considerou um "grande choque" a morte do jornalista. "É a derrubada da liberdade de expressão. Pode ser uma antecipação de outro ataque contra nós", acrescentou.
A "Horn Afrik" e uma emissora independente da Somália, a "Radio Shabelle", assim como a islâmica "IQR", foram fechadas durante vários dias em junho por ordem do Governo provisório. As autoridades acusaram as emissoras de traição e de "apoiar o terrorismo" por suas informações sobre os combates na capital e em outros pontos do país.
Somália vive sem um Governo que imponha a sua autoridade desde 1991, quando foi derrubado o ditador Mohammed Siad Barre. As lutas tribais e o surgimento das milícias islâmicas mantêm o país numa situação anárquica.
O jornalista assassinado era conhecido por seus informes sobre a situação das pessoas que vivem em campos de refugiados. Também produzia um programa sobre a vida dos meninos de rua.
Ontem, as autoridades fecharam durante várias horas a "Radio Shabelle" e detiveram temporariamente oito jornalistas e um técnico.
O repórter Bile Abdulahi Ali ainda está em poder da Polícia, confirmaram hoje fontes da rádio.
As fontes disseram que as autoridades acusam Ali de divulgar informação falsa sobre os combates entre a Polícia e os milicianos islâmicos.