Agência EFE
INDONÉSIA - Um tribunal de Justiça começou nesta quinta-feira o julgamento do ex-presidente indonésio Suharto, por suposto uso indevido de US$ 1,54 bilhão dos fundos públicos.
A Promotoria apresentou no dia 9 de julho, no Tribunal do Distrito Sul de Jacarta um recurso contra o ex-governante, exigindo a devolução de US$ 440 milhões supostamente obtidos de forma irregular. Além disso, cobra mais US$ 1,1 bilhão de indenização.
O painel de juízes da sala ordenou às duas partes que chegassem a um acordo dentro de um mês. A audiência durou apenas 20 minutos, sem a presença do general Suharto.
Segundo os advogados do Estado, no julgamento civil o único objetivo é recuperar o dinheiro.
O fundo teria sido desviado por bancos estatais para contas da fundação beneficente Yayasan Supersemar, presidida por Suharto. O dinheiro, que deveria ter sido empregado para financiar bolsas de estudos, acabou em "propósitos pouco claros", segundo a queixa.
Suharto encabeça as listas de líderes mais corruptos do mundo.
Organizações como a Transparência Internacional calculam que sua família acumulou de maneira fraudulenta até US$ 35 bilhões durante seus 32 anos de ditadura.
O general, de 85 anos, foi acusado de corrupção e desvio de fundos em várias ocasiões, mas sempre saiu imune graças a seus advogados e a relatórios médicos que diziam que ele não reunia as condições físicas e psíquicas para enfrentar o julgamento.
Suharto assumiu a Presidência em 1967 e dirigiu um regime autoritário. Obteve um rápido desenvolvimento econômico, mas em 1998 se viu forçado a renunciar em meio a uma grave crise econômica e grandes manifestações.