Agência EFE
REINO UNIDO - O Reino Unido foi acusado de querer abandonar à sua sorte cerca de 100 intérpretes iraquianos que colaboraram com o Exército britânico e que ficarão expostos a todo tipo de represálias assim que as tropas deixarem o país.
Segundo informa hoje o jornal britânico "The Times", o Governo trabalhista tem ignorado os apelos de chefes militares que servem na região de Basra. Eles pedem a concessão de asilo aos iraquianos que arriscaram a vida servindo aos britânicos, assim como a suas famílias.
Há provas, segundo o jornal, de que ativistas iraquianos querem se vingar daqueles que consideram colaboradores do inimigo, logo que as forças britânicas abandonarem o país.
Centenas de intérpretes e outros iraquianos contratados pelas Forças Armadas britânicas foram seqüestrados, torturados ou assassinados nos últimos quatro anos, lembra o "Times".
O jornal compara a atitude com a da Dinamarca, que concedeu asilo a 60 colaboradores iraquianos e a suas famílias. Os Estados Unidos também se dispõem a acolher 7 mil refugiados.
Um dos iraquianos que serviram aos britânicos em diversas funções, al-Kinani, dez um apelo pessoal a Tony Blair, em maio, na sua última visita ao Iraque como primeiro-ministro.
Kinani recebeu uma carta de um funcionário do Governo britânico comunicando que ele não tinha direito a asilo político no Reino Unido e sugerindo que se procurasse outro país.
- É uma autêntica covardia. Os britânicos nos jogam na boca do leão - queixou-se, em declarações ao "Times".
O Governo informou na última segunda-feira que os iraquianos a soldo do Reino Unido no Iraque não receberiam tratamento especial se solicitassem asilo.
- Qualquer pessoa que solicite asilo deve apresentar seu pedido em solo britânico. Não há exceções - disse um porta-voz do Ministério do Interior. Ele afirmou que o órgão examinará cada caso por seus próprios méritos e de acordo com a Convenção sobre Refugiados de 1951.
O porta-voz da oposição conservadora para assuntos de política externa, William Hague, pediu que o Governo de Gordon Brown reconsidere a postura.
A posição britânica foi também criticada por Tom Porteous, diretor da organização humanitária Human Rights Watch no Reino Unido.