Mulheres latino-americanas buscam igualdade em conferência no Equador

Agência EFE

QUITO - Dezenas de mulheres se reuniram nesta segunda-feira, em Quito na 10ª Conferência Regional da Mulher na América Latina e no Caribe, em busca de uma maior participação das mulheres e maior igualdade no desenvolvimento social.

O presidente do Equador, Rafael Correa, sua colega chilena, Michelle Bachelet participaram da reunião, onde se falou da contribuição feminina na economia e da proteção social, particularmente em relação ao trabalho não-remunerado.

A presidente do Chile afirmou que o objetivo da conferência é fazer com que as mulheres se tornem mais visíveis e vivam em sociedades mais justas, mais humanas, em que seja proibido o abuso do poder.

- Minha eleição como presidente é a derrota da exclusão, uma derrota dos que acham que há uma ordem imanente e intocável nas sociedades - disse Michelle Bachelet.

Ela acredita que a participação da política deve deixar de ser uma exceção.

- Quando uma mulher chega só à política, muda a mulher, mas quando muitas mulheres chegam à política, muda a política - disse.

Bachelet também anunciou mudanças na legislação chilena, que vão propiciar uma maior participação feminina à política, e uma maior contribuição financeira do Estado às candidatas.

- Estamos exigindo o reconhecimento de esforço, talento, coragem e compromisso com as causas justas e a solidariedade - disse a chanceler do Chile, María Fernanda Espinosa.

Ela acrescentou que é "urgente e necessário" encontrar um caminho para acabar com a pobreza, a violência, o sexismo e as práticas de uma democracia "fantasiosa".

Já Correa afirmou que a "revolução" que o Governo equatoriano busca será tomada como base a igualdade de gênero. Ele afirmou ter esperança de uma mulher possa ocupar o seu cargo após o término de sua gestão.

Para o secretário-executivo da Comissão Econômica Para a América Latina (Cepal), José Luis Machinea, ainda há muito caminho a percorrer recorrer na democratização interna dos partidos políticos e na abertura dos sistemas eleitorais.

A primeira vice-presidente do Governo da Espanha, María Teresa Fernández de La Vega, também esteve presente. Ela disse acreditar que o século XXI deve ser o período de superação do velho modelo patriarcal de dominação, que precisará ser substituída por outro modelo social baseado na igualdade.

- Hoje temos magníficas mulheres em todos os níveis de Governo e em todos os países. Mas temos que romper a regra da exceção, temos que ser mais, porque só sendo mais podemos liderar a mudança e o compromisso com uma sociedade igualitária - disse María Teresa na abertura.

Ela afirmou que as mulheres ainda passam por uma dupla injustiça: serem tratadas de forma desigual em relação aos homens, e têm prejuízos num mundo feito e construído num modelo patriarcal, que as situou "historicamente como cidadãs de segunda classe".

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