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Farc admitem falha e recebem ajuda da França para devolver corpos

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Agência EFE

BOGOTÁ - As Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) admitiram nesta terça-feira que falhou na custódia de 11 deputados que, segundo o grupo, morreram em uma operação de "paramilitares e unidades da Polícia' no mês passado, e garantiu que quer entregar os corpos 'com rapidez'.

- Falhamos na missão de cuidar dos prisioneiros e levá-los à troca por mais de cinco anos de recusa do Governo, mas continuaremos investigando que força cometeu o ataque ao acampamento - diz um comunicado do Bloco Ocidental das Farc.

A principal guerrilha colombiana divulgou o escrito por meio da "Agência de Notícias da Nova Colômbia' ("ANNCOL") em sua página na internet.

Na mesma nota, as Farc dizem que a 'demora' para entregar os corpos aos familiares dos deputados do departamento do Valle del Cauca 'só responde à busca de uma organização intermediária, que garanta objetividade nos trâmites e exames necessários'.

O texto data de 5 de julho, uma semana depois do anúncio da morte dos políticos. Eles teriam sido mortos no dia 18 de junho, no tiroteio durante o ataque a um acampamento da guerrilha.

Segundo os rebeldes, 'em meados de mês de junho paramilitares e unidades da Polícia desenvolveram ações conjuntas de grande dimensão, algumas delas conhecidas publicamente e outras silenciadas para ocultar essa relação'.

No entanto, o Governo responsabilizou as Farc e acusou-as de executar os parlamentares.

O Comando Conjunto do Bloco Ocidental afirma que continuará investigando para 'esclarecer esta tragédia que só serviu para levar luto aos lares dos deputados e baixar outra cortina de fumaça sobre os verdadeiros alcances da 'parapolítica' no Estado colombiano'.

Na segunda-feira, as Farc solicitaram ao Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) e ao grupo formado por Espanha, França e Suíça o 'acompanhamento e os bons ofícios' para a entrega dos corpos.

A solicitação aparece em carta datada de 6 de julho e assinada pelo chefe da chamada Comissão Internacional das Farc, Raúl Reyes.

O líder rebelde também se dirigiu a Noël Saez, ex-cônsul da França em Bogotá, e a Jean-Pierre Gontard, assessor do Ministério do Exterior da Suíça, além do ex-ministro colombiano Álvaro Leyva, antigo mediador do Governo com a guerrilha.

Hoje, a França disse que aceita o pedido de ajuda das Farc para colaborar na entrega dos corpos.

Junto com a Espanha e a Suíça, a França avisou que 'só pode aceitar, em coordenação e com o acordo do Governo colombiano, esta missão estritamente humanitária', disse hoje a porta-voz do Ministério de Exteriores da França, Pascale Andréani.

Sobre as condições de segurança na região onde estão os corpos, a porta-voz ressaltou que a necessidade de 'trabalhar para a realização das condições é o objetivo. Estamos em conversas com todas as partes.

O CICV, ao informar que recebeu a solicitação das Farc e o aval do Governo colombiano, enfatizou que as duas partes devem 'garantir as condições de segurança'.

As Farc tinham afirmado que a 'numerosa presença de tropas oficiais e paraestatais' na zona era 'a principal causa do indesejado atraso' na entrega dos corpos.

Andréani expressou a esperança de que o assunto ajude a avançar o dossiê do acordo humanitário, ou seja, a troca de reféns das Farc, inclusive a franco-colombiana Ingrid Betancourt.

A morte dos 11 deputados causou comoção na Colômbia. Na semana passada, milhões de pessoas se manifestaram nas ruas para pedir a liberdade de todos os reféns no país.

Organizações de direitos humanos calculam que há mais de 3.000, mas apenas 700 em poder das Farc.