Agência EFE
WASHINGTON - Cindy Sheehan, a mãe que perdeu um filho soldado no Iraque e que em maio havia suspendido o ativismo ao qual passara a se dedicar desde então, voltou à função mais decidida do que nunca, e com um ultimato pelo fim da guerra iraquiana feito à presidente da Câmara de Representantes, Nancy Pelosi.
Cindy Sheenan escreveu em seu blog, intitulado "Denuncie o Provocador", que Nancy Pelosi precisa iniciar em breve um julgamento político (impeachment) contra o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, pela Guerra do Iraque, ou vai enfrentá-la nas próximas eleições legislativas.
"Não vou parar", escreve Sheehan, que diz que, embora tenha pensado em jogar a toalha, a decisão de Bush de comutar a sentença de Lewis "Scooter" Libby a fez mudar de idéia.
Em 2 de julho, o presidente Bush perdoou a prisão de Libby. O ex-assessor de governo da Casa Branca deveria cumprir uma pena de dois anos e meio de prisão por mentir e obstruir a Justiça durante uma investigação sobre o vazamento à imprensa da identidade da ex-espiã da CIA Valerie Plame.
"Tentei deixar o terreno político dos EUA, que Bush e companhia estão transformando no império do mal", afirmou Sheehan.
"A audácia descarada de George (Bush) ao alterar a sentença de 'Scooter' me fez voltar arrastada (à política), esperneando e chiando", declarou Sheehan.
A calma desta "mãe coragem" durou apenas cinco semanas e agora ela volta com as energias renovadas e com novas estratégias. Cindy Sheehan planeja se candidatar à Câmara de Representantes e disputar as próximas eleições legislativas, em novembro de 2008, contra Nancy Pelosi.
Sheehan exige que Pelosi inicie o processo de impeachment contra Bush nas próximas duas semanas. Caso a presidente da Câmara de Representantes não o faça, a ativista ameaça candidatar-se às eleições como independente.
Pelosi afirmou que o importante é que as tropas retornem sãs e salvas, sem se referir diretamente ao possível anúncio da candidatura de Sheehan.
"Pelosi disse várias vezes que o seu principal objetivo é o fim da Guerra do Iraque. Ela acredita que a melhor maneira de apoiar as nossas tropas no Iraque é trazê-las para cá sãs e salvas, e o mais rápido possível", disse à agência Efe Marcela Salazar, porta-voz do escritório de Pelosi.
"Julho será um mês de ação no Congresso para pôr fim à guerra, incluindo uma votação para escolher um novo destino para as nossas tropas na próxima primavera (no hemisfério norte)", acrescentou.
Ao mesmo tempo em que cogita se candidatar à Câmara de Representantes em desafio a Pelosi, Sheehan também organizou uma caravana de protesto que partirá amanhã de Crawford (Texas, EUA), de perto do rancho de Bush. O objetivo é chegar a Washington e conseguir ser ouvida pelo Congresso, no dia 23 de julho.
Segundo Sheehan, a caravana deseja falar "aos líderes que nos levaram pelo mau caminho que terão que enfrentar o som da justiça em seus próprios distritos".
Há um mês e meio Sheehan, anunciou que abandonava o movimento pacifista iniciado em 2005, pois encontrava-se exausta física e emocionalmente, em má situação financeira e decepcionada com os democratas que não atuaram para a retirada das tropas americanas do Iraque.
No entanto, agora ela está disposta a lutar com mais força do que nunca.
"Thomas Jefferson (1801-1809) disse que necessitamos de uma revolução a cada 20 anos aproximadamente para manter uma república honesta. Passaram-se mais de 225 anos desde a última revolução (sem contar a Guerra de Secessão americana). Faz muito tempo que deveríamos ter tido uma", declara Sheehan em se blog.