Agência EFE
LISBOA - O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, pediu nesta segunda-feira ao Kosovo que não tome ações unilaterais, enquanto é negociada uma solução sobre o futuro da província sérvia, que disse ser uma prioridade para a organização.
Sobre o Oriente Médio, Ban Ki-moon ressaltou a gravidade do problema palestino e a necessidade de a liderança do presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, ser respeitada.
Uma solução para o estatuto do Kosovo é a 'imediata prioridade' da ONU, acrescentou Ban durante sua visita de um dia a Lisboa, depois de se reunir com o chanceler português, Luis Amado. Portugal acaba de assumir a Presidência semestral da União Européia (UE).
- Precisamos obter uma solução o mais rápido possível - disse o secretário-geral da ONU, depois de pedir às autoridades do Kosovo, onde mais de 90% da população é de etnia albanesa, que não tomem medidas unilaterais durante o período de negociações.
Ban disse que tenta coordenar, junto com as autoridades da UE, uma solução para o Kosovo, a província da Sérvia que continua sob protetorado interino da ONU desde que terminou a guerra de 1999.
Para obter uma solução, é importante o papel de uma União Européia forte e coesa, ressaltou Ban.
- Um atraso na solução do Kosovo seria muito negativo - disse. Ele lembrou o papel da Rússia, que já advertiu de que o reconhecimento da independência desta província sem o consenso de Belgrado geraria um precedente para outras regiões separatistas.
Em relação ao Oriente Médio, Ban frisou a gravidade da situação palestina, analisando-a com Amado. Eles disseram que esta é outra das prioridades e lembraram que a 'ONU assumiu suas responsabilidades na área humanitária'.
A ONU ajudou os cerca de 1,5 milhão de palestinos que vivem na Faixa de Gaza, mas uma solução para o problema apenas poderia ser obtida caso Abbas assumisse uma liderança política respeitada por todos.
Sobre a possibilidade de ser realizada uma cúpula entre os líderes da UE e da África, o secretário da ONU destacou que é um objetivo no qual ele trabalha em conjunto com as autoridades do bloco europeu.
Ban considerou a pobreza, a Aids e as deficiências na saúde os problemas mais graves do continente africano, que são o centro dos esforços da ONU atualmente. Ele ressaltou a difícil situação pela qual passam Darfur, no Sudão, e a Somália.
O secretário-geral destacou ainda a colaboração de Portugal - como antiga potência colonial - na reconstrução do Timor-Leste, cujo partido governista Frente Revolucionária do Timor-Leste Independente (Fretilin) foi proclamado nesta segunda-feira vencedor das eleições legislativas com 28,78% dos votos.
Ban, que também se reuniu com o presidente português, Aníbal Cavaco Silva, falou sobre a mudança climática e o problema do aquecimento global, e defendeu que se deve combatê-los com tecnologia e com a colaboração da comunidade internacional.
O sul-coreano citou também a reforma da ONU e lembrou seu empenho pessoal em transformar a organização em uma instituição transparente e eficaz.