REUTERS
HAVANA - O convalescente presidente cubano Fidel Castro disse no domingo que o homem que os Estados Unidos e a Máfia contrararam para envenená-lo no começo dos anos 1960 não teria conseguido chegar perto o suficiente dele para ter sucesso na tentativa de assassinato.
Castro, em seu último e mais longo texto desde que começou a escrever em março enquanto se recupera de uma cirurgia intestinal de um ano atrás, disse que o plano para assassiná-lo foi apenas um de muitos.
A CIA, agência central de inteligência dos EUA, revelou no mês passado centenas de páginas de registros secretos que detalharam os piores abusos ilegais envolvendo agentes --como tentativas de assassinatos, espionagem e sequestros.
Os documentos da CIA descrevem os esforços iniciais de matar Fidel Castro com uso da Máfia, que estava furiosa por ter perdido seus cassinos em Cuba após Castro ter assumido o poder em 1959, adotando o regime comunista na ilha.
De acordo com os documentos, seis pílulas venenosas foram fornecidas em 1961 pela Máfia a Juan Orta, identificado como uma autoridade cubana que recebia pagamentos por defender os interesses do jogo e que ainda tinha acesso a Fidel Castro. Orta não executou o plano.
Castro escreveu em material publicado no domingo que Orta estava ligado a exilados baseados nos EUA e imigrantes antes da revolução, e que durante uma época teve acesso frequente ao líder cubano.
- O traidor Orta recebeu dinheiro do crime organizado supostamente para ajudar na reabertura de cassinos', escreveu Castro.
- Quando ele recebeu o veneno, diferentemente de momentos anteriores, havia pouca chance de eu ver Orta. Eu estava completamente ocupado com outros assuntos - disse Castro.
O presidente cubano não é visto em público desde uma cirurgia em julho do ano passado, quando passou o poder temporariamente para o irmão mais novo Raul.
Mas o revolucionário de 80 anos voltou à vida pública por meio de longos artigos escritos, chamados 'Reflexões de um Comandante no Poder', gerando especulações de que sua saúde está melhorando.