Agência EFE
EQUADOR - O Governo do Equador anunciou na última quarta-feira que poderá adotar medidas de reciprocidade, após a deportação de quatro membros de uma equipe da televisão Ecuavisa, que haviam sido detidos por militares da Colômbia quando gravavam uma reportagem do lado colombiano da fronteira.
Em declarações à Ecuavisa, o ministro de Governo (Interior) do Equador, Gustavo Larrea, considerou absolutamente exagerado o tratamento dos militares colombianos aos jornalistas equatorianos.
Ele disse que o Governo poderá publicar uma nota de protesto e pedir esclarecimentos à Colômbia.
Também disse que pode pedir reciprocidade ao país vizinho, sem dar mais detalhes.
A Embaixada da Colômbia em Quito, em resposta a uma nota da Chancelaria equatoriana, afirmou que os quatro jornalistas entraram em território colombiano por um ponto não habilitado.
Segundo o comunicado, a equipe da Ecuavisa evitou o controle migratório, numa violação das normas da República da Colômbia.
A equipe da Ecuavisa, formada pelo repórter Freddy Barros, pelo câmera Sergio Quinaluisa, pelo assistente Germán Bicho e pelo correspondente Gonzalo Orellana, cruzou a fronteira numa área onde não existem controles migratórios e não há presença fixa de militares nem policiais colombianos.
Os equatorianos só precisam mostrar sua identidade do outro lado da fronteira para estar em situação legal, segundo os acordos bilaterais.
Uma notificação entregue aos jornalistas, quando foram expulsos da Colômbia, comunicou que eles tinham realizado atividades não autorizadas incorrendo em permanência irregular. Os quatro foram proibidos de entrar em território colombiano por cinco anos.
Os jornalistas ficaram detidos pelo Exército durante 10 horas.
Em nota lida em seus noticiários, a Ecuavisa registrou seu protesto pela forma como atuaram os militares colombianos.
- Nossos jornalistas cruzaram o rio em missão 100% jornalística, numa área descampada, onde não há controles fronteiriços - acrescenta o texto.
No entanto, a rede equatoriana diz que os seqüestradores queriam impedir a cobertura, e por isso obrigaram a apagar o material gravado, numa atitude censurável.
A equipe jornalística realizava uma reportagem sobre a morte de José Marcos Quezada, um equatoriano morto a tiros pelos militares, com três colombianos.
Os militares colombianos dizem que os quatro mortos eram guerrilheiros das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e morreram num confronto com o Exército. Seus parentes afirmam que eram camponeses que plantavam milho e foram assassinados pelos soldados.