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Produtos agrícolas dificultam acordo comercial entre Mercosul e Israel

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Agência EFE

BUENOS AIRES - O acordo comercial que o Mercosul e Israel estão negociando está praticamente definido, mas desacordos em torno das cotas para carnes e lácteos estão provocando uma demora na assinatura do tratado, disse hoje uma fonte diplomática.

O bloco integrado por Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai, ao qual a Venezuela está em processo de adesão, tinha a expectativa de assinar o acordo comercial em sua cúpula que será realizada na próxima semana em Assunção.

- Mas o acordo não amadureceu, principalmente porque a oferta (israelense) de produtos agrícolas, em particular de carnes, não é satisfatória para o Mercosul -, afirmou hoje o subsecretário argentino de Integração Econômica Americana e do Mercosul, Eduardo Sigal.

O diplomata afirmou em entrevista coletiva que o Mercosul espera "alguma flexibilidade' da parte de Israel em uma videoconferência entre os negociadores prevista para a próxima terça-feira.

Sigal explicou que esta parte da negociação 'é sensível' para as economias menores do Mercosul: o paraguaia e a uruguaia.

- É uma questão que não afeta nem o Brasil nem a Argentina, porque deixamos que toda a cota (concedida por Israel) seja utilizada por Uruguai e Paraguai, com critério de tratamento especial às economias de menor desenvolvimento -, assinalou.

Israel é um mercado com alto poder aquisitivo (com renda per capita de US$ 16.000) e importações anuais de US$ 48 bilhões. O país concentra seu comércio em mercados com os quais tem acordos comerciais.

Inicialmente, Israel se negava a incluir na negociação os produtos agrícolas. Contudo, devido à pressão do Mercosul, para o qual estes produtos são cruciais, o país aceitou incluí-los, embora submetendo alguns, como as carnes, a um sistema de negociação por cotas.

A última reunião de negociação foi realizada há algumas semanas em Jerusalém.

Em 2005, o comércio entre o Mercosul e Israel totalizou US$ 1,01 bilhão. O saldo foi positivo para o bloco sul-americano, que exportou US$ 548 milhões e importou US$ 462 milhões do Estado judeu.

Os principais produtos que o Mercosul exporta a Israel são grãos e cereais, bens de capital e informática e calçados.