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Moscou defende diálogo com o Hamas e distingue moderados de radicais

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Agência EFE

MOSCOU - O ministro do Exterior da Rússia, Serguei Lavrov, defendeu nesta sexta-feira a necessidade do diálogo entre o presidente palestino, Mahmoud Abbas, e o grupo islamita Hamas, e pediu que se faça diferença entre as alas moderada e radical desse movimento.

Na Autoridade Nacional Palestina (ANP) 'há um presidente legítimo, um Governo, embora provisório, e um Parlamento, também legítimo, no qual o Hamas tem maioria. Para superar a crise, o presidente deve ir ao Legislativo e negociar com ele sobre o Executivo', manifestou.

- Não é o Hamas o que comete excessos nos territórios palestinos, mas a ala radical do Hamas', afirmou o ministro em alusão à ocupação da Faixa de Gaza e as repressões contra o movimento de Abbas, Fatah.

- A ala política do Hamas, liderada por Khaled Mashal, expressou reiteradamente sua disposição para negociar com Abbas para restabelecer a unidade palestina - afirmou Lavrov, que na próxima semana pretende visitar Israel e os territórios palestinos.

O ministro russo denunciou que 'alguém quer impedir o restabelecimento da unidade palestina, alguém pode tentar suscitar na Palestina uma autêntica guerra civil com a esperança de erradicar o Hamas. Não os radicais em seu seio, mas todo o Hamas como movimento'.

Acrescentou que 'esse simples esquema faz lembrar' os fatos dos últimos anos em outros países, onde se pretendia acabar com os 'malvados' e levar ao poder aos 'bonzinhos'', em previsível alusão à invasão do Iraque pelos Estados Unidos.

Lavrov disse que o Quarteto de mediadores internacionais para o Oriente Médio (formado por Rússia, EUA, a ONU e a União Européia) expressou pleno apoio ao presidente palestino na crise e condenou a sublevação do Hamas na Faixa de Gaza.

Mas também disse que 'não se pode esquecer as causas que motivaram essa atitude dos radicais', como o fato de que 'muitos parlamentares palestinos permanecem nas prisões israelenses'.

- O principal agora é impedir uma catástrofe humanitária em Gaza - acrescentou.

A Chancelaria russa anunciou hoje mesmo que representantes do Quarteto se reunirão na próxima terça-feira em Jerusalém para "estudar a situação na região, as tarefas e os planos de trabalho dos mediadores'.

Essa reunião será realizada no dia seguinte ao encontro no Egito do presidente palestino com o primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, com a participação do presidente anfitrião, Hosni Mubarak, e do rei da Jordânia, Abdullah II.

Além disso, a Chancelaria russa anunciou que Lavrov visitará Israel e os territórios palestinos na semana que vem , antes de assistir à reunião do Quarteto prevista para o 26 e 27 de junho no Cairo, embora fontes egípcias não descartem um adiamento da reunião.