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WASHINGTON - O governo Bush está tratando o colapso da Rodada Doha, ocorrido nesta semana, como uma boa notícia para a sua tentativa de renovar os poderes de negociação comercial do Executivo, embora não esteja claro que os parlamentares dos EUA vejam dessa forma.
- Ao fugir de um acordo ruim, somos mais uma vez capazes de mostrar ao Congresso que somos confiáveis - disse na última quinta-feira a representante comercial Susan Schwab, após a suspensão da tensa reunião entre EUA, União Européia, Brasil e Índia.
Essa confiabilidade, no entender de Schwab, poderia levar à renovação do 'fast track', mecanismo que permite ao presidente dos EUA negociar tratados comerciais internacionais sem interferência do Congresso, que pode apenas vetá-los ou sancioná-los, mas não alterá-los.
O atual 'fast track' expira em 30 de junho, e alguns parlamentares esperavam que houvesse uma solução para a Rodada Doha antes de renovar a lei.
O fracasso desta semana 'certamente não ajuda, mas não acho que seja fatal' para a renovação, segundo Dave Salmonsen, que acompanha a questão comercial na Federação Agrícola Americana.
Schwab e o secretário de Agricultura dos EUA, Mike Johanns, culparam Brasil e Índia pelo fracasso das negociações em Potsdam, Alemanha, porque os representantes dos países em desenvolvimento estariam rejeitando uma abertura no setor industrial ao mesmo tempo em que exigiram mais reduções nos subsídios agrícolas norte-americanos.
Mas o negociador indiano, Kamal Nath, disse que a posição dos EUA 'não tinha equidade, não tinha lógica e não tinha justiça'.
Sherman Katz, analista de política comercial do Fundo Carnegie para a Paz Internacional disse que o fracasso do chamado G4 'mostra a alguns no Congresso que os EUA não vão ser um bode expiatório'. 'Haverá um pouquinho mais de respeito por Sue Schwab e Mike Johanns', afirmou.
Já Sallie James, do Instituto Cato, acha que, mesmo que a premissa de Schwab esteja correta, o Congresso no momento não está interessado em dar nada a Bush.
Muitos parlamentares, céticos em relação a acordos comerciais, cogitam renovar o 'fast track' apenas para o que diz respeito à Rodada Doha das negociações globais, mas não a tratados bilaterais.
Charles Grassley, líder republicano na Comissão de Finanças do Senado, quer a renovação do 'fast track', mas mesmo ele, segundo um assessor, só pode condicioná-lo à Rodada Doha.
- Não houve realmente discussões sérias sobre a renovação do 'fast track' - disse Matt Beck, porta-voz do deputado Charles Rangel, presidente da Comissão de Orçamento da Câmara.